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A arte do grafite como elemento da cultura hip hop

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Memórias do Brasil

Descrição:

Souto: Eu sou autodidata. Eu aprendi em 1983 vendo um filme de hip-hop chamado “Beat Street”. Foi daí que comecei a trabalhar com grafite, desde então. Na verdade o grafite fazia parte de um dos elementos da cultura hip-hop, e que essa cultura propunha através de seus elementos, autovalorização do jovem das classes menos favorecidas. A origem do grafite do hip-hop é a velha escola do sul do Bronx, em Nova York, que é baseado nas letras, que definem o que é grafite e o que não é.

As letras são a alma do grafite e essas letras se dividem em três estilos. Elas começam com o estilo básico, que é o “throw up” ou “bomb”, o “wild style” e em seguida o “3D”. Nos Estados Unidos o grafite é proibido, não é igual aqui no Brasil onde a gente conseguiu conscientizar a sociedade que o grafite tinha o seu lado positivo.

Eduardo Chauvet: E as pessoas muitas vezes confundem o grafite com pichação. Como você faz pra chegar numa loja e comprar teu spray e falar pro cara que você não vai pichar, vai grafitar? Como que é?

Souto: Tem lojas especializadas em grafite.

Eduardo Chauvet: Mas você tem que mostrar uma carteirinha dizendo que você é grafiteiro?

Souto: Não, não, na loja de grafite não, até por causa do nome, né. Eu já sou conhecido. Eu chego lá, falo que sou o Souto e eles me vendem.

Eduardo Chauvet: Só pro Souto. E pro João, pra Maria, pro Paulo, pra Antônia?

Souto: Aí sim tu precisa deixar o número do registro e do CPF lá pra sair com a lata de spray.

Eduardo Chauvet: Não é bagunçado não.

Souto: Não, de maneira alguma.

Eduardo Chauvet: É registrado direitinho. E qual é a sua dica, como é que a gente faria pra trazer a moçada que tá na pichação pro grafite? Como é que dá pra arrebanhar esse povo todo aí, que fica sujando a cidade, pra fazer arte?

Souto: Essa fase da vida deles vai passar. Um dia eles vão se tornar pais de família. Eu acho que o caminho não é esse.

Eduardo Chauvet: Todas as cidades ficam muito feias, é muita pichação.

Souto: É, com certeza!

Eduardo Chauvet: E aquela família tá lá pintando o muro da casa dela e no dia seguinte vem um cara e picha lá de novo. Complicado.

Souto: Sim, complicado. Eu acho que a nossa convivência na sociedade se baseia no respeito, então não adianta porque eu acho bonito, porque eu tenho que me expressar, eu vou chegar no muro da sua casa e vou jogar um piche lá ou então um “bomb”, sendo que você não vai gostar disso.

Eduardo Chauvet: Quando o cara é pego pichando, o que acontece? E aí, vai pra uma delegacia?

Souto: Rapaz, geralmente o pessoal vai pra delegacia. Eu nunca fui, mas o pessoal vai pra delegacia, é processado, responde ao processo e paga geralmente com serviço comunitário, com cesta básica ou alguma coisa assim.

Eduardo Chauvet: É uma questão de educação, a gente poder saber que meu espaço termina quando começa o seu.

Souto: Com certeza. Eu acho que a sociedade se baseia, qualquer relação, se baseia em respeito mútuo.

Janeiro de 2011