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A dança como arte inclusiva para alunos especiais

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Memórias do Brasil

Descrição:

Juliana Castro: “Lá no Instituto a gente tem várias realidades. A gente tem uma turma específica de dança cigana que a gente chama de arte inclusiva através da dança cigana.

Pessoas “x”, normais ou especiais, se encontram. Homens ou mulheres, jovens ou crianças, adultos, se encontram pra aprender a dança cigana. Cada um potencializando a sua limitação.

E a gente escuta. A gente procura saber qual é o desejo. Por exemplo, eu tenho um que quer dançar forró. Ele é deficiente, tem deficiência auditiva, um ouvido é severo e o outro é moderado. Ele não se comunica, não tem a fala, não tem oratória. O entendimento é feito através da leitura labial. E ele quer aprender forró.

Uma outra menina procurou a gente pra fazer dança moderna. A gente não tinha uma turma de dança moderna, mas ela queria muito, era o sonho dela de dançar. Podemos fazer um atendimento personalizado. Ela pode fazer aula de dança moderna. E aí a nossa professora preparou uma coreografia. A gente ajudou no laboratório do figurino da Bibiana. E na festa de 15 anos, Bibiana dançou e teve pizza. Então foi mais um sonho realizado.

Temos uma outra situação também que é diferente. O Alexandre tem Síndrome de Down e ele já é mais descolado. Ele já se comunica, ele entende os comandos, já é mais disciplinado em relação a já estar integrado ao grupo. Ele faz ‘street’ numa turma de ditos ‘normais’.

Eu vejo mais disciplina, eu vejo mais coleguismo, companheirismo. São valores que são resgatados de uma maneira muito lúdica, de uma maneira muito simples, que hoje eu vejo que hoje em dia a gente precisa intensificar isso, principalmente junto aos jovens.

E, normalmente, essas pessoas chegam de uma maneira muito mais afetiva, muito mais calorosa, muito mais amorosa pra receber o que na verdade nós vamos dar. Só que é uma grande troca.

Sem dizer das habilidades motoras que estão sendo trabalhadas: a concentração, a coordenação motora, a lateralidade, a agilidade, percepção de espaço, enfim.

O resultado maior que a gente percebe vai além do motor ou do cognitivo. É um bem-estar . Eu vejo uma família acolhida, eu vejo um adolescente, um adulto, portador ou não de uma necessidade especial. Pra mim todos nós somos deficientes em alguma coisa, mas dentro dessa palavra deficiência tem uma palavra que se chama eficiência. Então acho que o nosso papel é dar eficiência. Esse D de deficiência é de dar. Nós temos que dar eficiência. Nós temos que potencializar o que ele tem de melhor, sem ser com a expectativa que a sociedade coloca. E aí faz uma reviravolta, né? Porque faz a gente enxergar de uma outra maneira esse ser igual a mim, igual a você, igual a todo mundo.

Julho de 2010