Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

A exuberante Chapada Imperial e suas cachoeiras a apenas 50 km de Brasília parte 2

profile

Memórias do Brasil

Descrição:

Márcio Imperial: O Cerrado é um bioma riquíssimo. O segundo maior bioma do planeta. São 12 mil espécies de plantas e 1600 espécies de animais. Então, quando o turista chega a gente dá uma leve passada explicando todos os tipos de vegetações que compõem o bioma cerrado. O campo limpo úmido, o campo sujo, a mata ciliar, a mata galeria, o campo cerrado, a mata mesofítica, o cerradão, e assim vai. E quando o turista faz a trilha ele passa por todas elas. Ele aprende a valorizar o nosso bioma cerrado.

Eduardo Chauvet: Nós estamos aqui com o Anderson Vale. Ele é coordenador do centro de triagem de animais silvestres do Ibama. Ele tem todo um trabalho realmente bastante interessante de soltura de animais. Toda uma questão de educação ambiental.

Anderson: Não só a questão de educação ambiental mas a própria devolução desses animais à natureza. Agora mesmo a gente está com um procedimento: fazendo a marcação, utilizando uma técnica de monitoramento de animais e esses animais que estão conosco. Há cerca de 3 anos a gente vem acompanhando o desempenho dos animais na natureza. Então eram araras de cativeiro, papagaios… A gente já soltou cerca de 1500 animais aproximadamente. E a gente vai acompanhando ao longo do tempo para ver a evolução, como é o desempenho dele, se ele consegue se alimentar na natureza, consegue encontrar parceiro, consegue se defender de predador, procurar abrigo. São alguns dos itens que a gente vai observando para ver o sucesso do projeto.

Eduardo Chauvet: Isso significa o que? É um resgate do animal diante de uma situação de perigo para que ele possa se readequar à sua natureza, à sua origem?

Anderson: A maioria deles vieram de cativeiro. Pessoas que adquiriram do tráfico de animais silvestres, tinham em suas casas papagaio e arara, principalmente. E o que a gente faz é um trabalho de reeducação do animal. Pegar todo aquele período da vida dele que ele perdeu estando preso e ensinar o animal a sobreviver na natureza. Inclusive, até ensinar o animal a procurar alimento na natureza. Tem papagaios que se alimentaram de pão com leite e café. E você ensinar um animal desse que ele vai ter que se alimentar da fruta do carvoeiro, que ele vai encontrar só em uma época do ano… então é todo um trabalho.

Eduardo Chauvet: As pessoas ao traficarem os animais, ao terem os animais nas suas próprias casas, elas estão cometendo um crime.

Anderson: Estão cometendo um crime. É uma questão cultural. Desde que o Brasil foi descoberto já se levava araras para Portugal. E é uma questão que vem ao longo dos anos impactando o meio ambiente. Nós temos algumas espécies que já estão extintas por conta da captura. A ararinha azul, por exemplo. E nós temos outras espécies que viram problemas. Como por exemplo, o macaco prego que as pessoas trazem de vários pontos, principalmente da Bahia, que é um grande fornecedor de animais para o tráfico. O animal fica agressivo, a pessoa não consegue mais lidar com o animal e, ou ela solta, ou ela entrega para os órgãos públicos e a sociedade acaba arcando com esses custos. Pra se ter uma ideia, só em exames médicos dos animais, são necessários cerca de 1 milhão de reais por ano. Os Cetas do Ibama do DF recebem em torno de 6 mil animais por ano com uma taxa de crescimento de 50%. Isso é um custo para a sociedade enorme. A questão da educação ambiental seria o primeiro passo pra gente tentar reverter esse quadro. E hoje, aqui, a gente tem isso.

Márcio Imperial: Quando um turista chega, nós temos a preocupação com relação ao lixo que é produzido. O que as pessoas trazem de fora pra dentro da reserva. Nós instruímos o turista que não se deve jogar embalagens porque o animal silvestre sente o aroma do alimento e acaba ingerindo essa embalagem. E quando isso ocorre o animal acaba morrendo no dia seguinte. A embalagem vira uma bucha no estômago do bichinho e ele vem a falecer logo depois. E também os pássaros pegam o filtro do cigarro achando que é um algodão que a paineira produz e acabam levando para os ninhos. O cigarro tem 4700 produtos químicos diferentes. Esses produtos químicos em contato com a casca do ovinho descalcifica, e quando o passarinho senta para chocar o ovinho, não suporta o peso e quebra. Então estaria matando indiretamente o passarinho que iria nascer. E por último o lixo orgânico, que demora 90 dias para se decompor. Acontece que se os turistas chegarem e se depararem com um monte de cascas de frutas no caminho, a impressão que vai causar é que está tudo uma sujeira só. Então a gente pede a colaboração dos turistas para que não joguem embalagens, filtro de cigarro e matéria orgânica na trilha.

Janeiro de 2010