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Afonso Brazza, o cineasta bombeiro do cinema trash brasileiro

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Já são 30 anos de carreira, 7 filmes rodados e, embora muita gente torça o nariz, ele é, sem dúvida alguma, o cineasta aqui de Brasília, que mais trabalha. Já foi homenageado pelo Festival de Cinema de Brasília e agora é tema de documentário. A gente está falando, é claro, de Afonso Brazza. E é pra a gente conversar com ele que a gente veio aqui no Gama (DF), aqui no local onde ele guarda todos os filmes dele, é uma locadora. E a gente vai querer ouvir as histórias desse cara, que é bombeiro e decidiu virar cineasta por um grande amor. Como é que começou essa história do cineasta Afonso Brazza? Quando é que nasceu esse sonho?”

“Olha, esse sonho de fazer cinema, que é a história do Afonso Brazza, começou quando eu tinha a idade de 12 anos. Aquela vontade de fazer cinema. Arrumei a minha malinha e fui embora para São Paulo. E lá em São Paulo eu conheci muitos artistas, muitos diretores. E ali comecei a minha carreira cinematográfica.”

“A sua escola, na verdade, é a Boca do Lixo, onde você fez vários filmes na década de 70, né?”

“Eu trabalhei na Boca do Lixo praticamente 10 anos. Então tudo que se fala de cinema eu aprendi em São Paulo, na boca do lixo. Em 1980 acabou tudo em São Paulo, né? Eu acho que eu preferia até morrer, sabe? Quando eu vi acabar tudo, ninguém produzia mais nada, eu fiquei desgostoso, arrumei a minha mala de volta. Cheguei aqui em Brasília com aquele remorso, aquela saudade, aquela coisa toda. Fiz concurso e entrei para o corpo de bombeiros. Falei “agora vou ter que ser salva vidas, né? ”, que eu estou até hoje. 20 anos de serviço no corpo de bombeiros, que foi outra escola para mim. Ali eu aprendi a amar, aprendi a gostar, aprendi a salvar. Eu acho que foi o corpo de bombeiros que me deu essa iniciativa de fazer cinema porque eu acho que tudo que um diretor, um ator precisa, o corpo de bombeiros é uma das melhores escolas do mundo. Hoje eu tenho um público, eu tenho pessoas que gostam de mim, que admiram o meu trabalho. E eu acho que a coisa mais importante do mundo é você fazer aquilo que o povo gosta. Se o Afonso Brazza hoje está acontecendo é porque o povo está querendo, se não o Afonso Brazza teria acabado.”

“E essa história de que foi por um grande amor que você virou cineasta, é verdade?”

“Essa atriz eu amei ela durante 25 anos da minha vida. Foi doloroso para mim amar uma pessoa 25 anos sem ela saber, né. Quando eu cheguei a falar que amava, que gostava, acho que essa pessoa tomou até um choque, né. Mas se o choque foi tão forte, acho que ela aceitou e hoje estamos casados, trabalhando juntos, temos uma filha, a coisa mais linda do mundo. Tudo que eu queria para a minha vida eu tenho hoje em dia. Em primeiro lugar, Deus, segundo, minha esposa, minha filha, meu trabalho.”

“Esse aqui foi o filme que mudou a vida de Afonso Brazza. E a Claudete Joubert, a loura poderosa que ele viu no filme, na tela do cinema, e por quem ele se apaixonou e decidiu virar cineasta. Você embarcou no sonho do Afonso Brazza. Esse sonho também é seu ou foi também por amor?”

“Acho que os dois. Por amor e pelo sonho de fazer cinema, principalmente aqui em Brasília.”

“O que eu quero pedir aqui para o povo de Brasília, é parar de falar, criticar e a gente poder fazer o cinema nacional crescer. Colocar aquele pólo (de cinema do DF) para funcionar. Colocar tudo para funcionar. E ver se a gente faz um trabalho em conjunto e vamos falar que existe um pólo não só para um, para todos. E que o Afonso Brazza também faz parte desse pólo, que esse pólo é nosso. Brasília é nossa e vamos construir Brasília juntos. E vamos fazer cinema juntos.”

Fevereiro de 2000