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Altamiro Carrilho, 112 discos e mais de 60 anos de carreira

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Minha carreira começou praticamente aos 5 anos de idade. Eu pedi uma flauta de brinquedo ao Papai Noel. O Papai Noel me trouxe essa flauta. Eu comecei a dedilhar e fui descobrindo que dali saiam notas musicais e fiquei muito feliz.

Aí comecei a fazer flautinhas de bambu. Já com 9, 10 anos de idade eu mesmo fazia as minhas próprias flautas. E aos 12 comecei a estudar. Comecei em programas de calouros. Programas do Ary Barroso, dos grandes apresentadores da época. Depois de ganhar todos os prêmios em todos os programas de calouros do Brasil, gravei o meu primeiro disco. Tive sorte. Foi prefixo do programa de Abelardo Chacrinha Barbosa, que fazia um programa na rádio nessa época. Um dos meus padrinhos artísticos foi o cantor Moreira da Silva, que nos deixou recentemente. Gravei com Francisco Alves, Orlando Silva, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Chico Buarque, Caetano Veloso, enfim. Todos os cantores que vocês possam imaginar, eu já gravei com eles.

112 discos. Eu sou, dos instrumentistas brasileiros, quem mais gravou até hoje. Isso é bom para mim, é bom para vocês, que gostam da música bem tocada, com um certo carinho. Não é que eu seja melhor do que ninguém, é que eu gosto do que eu faço. Sempre que eu toco uma música, eu toco mais com o coração do que com a razão. E talvez seja por isso que eu estou aí esses anos todos fazendo minha música, sendo ouvido por toda essa gente carinhosa, não só do Brasil, mas do mundo.

Já me perguntaram, certa vez, se aos 60 anos de carreira eu ainda componho, se eu ainda tenho um espírito criativo. Tenho. Porque o dia que parar isso eu posso me considerar um homem morto. Já consegui grande sucesso, vendagem de mais de 1 milhão de cópias de disco. Isso não é novidade para mim. Já tive isso tudo. Mas não é isso que importa. Importa mais aquela música que vende menos, mas de melhor qualidade, do que uma que venda 1 milhão de cópias, 2 milhões e não me agrada ao coração.

Eu não tenho local especial para compor nem para escrever. Eu sou um mutante por excelência. Dentro de um avião eu já escrevi um choro. Eu estava no aeroporto do Galeão, que hoje é Antônio Carlos Jobim, muito merecida a homenagem, e, na chamada de um voo internacional tocaram quatro notinhas musicais. “Atenção passageiros para o voo tal”. Eu peguei aquelas quatro notas na hora, peguei um papel, improvisei um pentagrama, uma pauta, e escrevi. Entrando no avião, eu pedi um papel de música emprestado a um dos companheiros do conjunto e comecei a escrever o chorinho “Aeroporto do Galeão” baseado naquelas quatro notinhas que eu havia ouvido momentos antes. Quando cheguei em Fortaleza estava pronto o chorinho “Aeroporto do Galeão” e toquei na mesma noite no show e apresentei ao público “a primeiríssima audição, compus dentro do avião”.

Eu não espero parar já não. Ainda vou caminhar um pouquinho mais. Enquanto Deus disser “vai seguindo”, eu vou seguindo.”

Outubro de 2004