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Antônio Elias, artista plástico e dentista em ‘Extremes’

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu moro aqui em Brasília há 20 anos e arte é a minha paixão. Em 1990 eu fiz minha primeira instalação, que é uma maneira de dispor várias esculturas em um lugar. Cada instalação minha eu lido com um tema. Eu gosto de escolher alguma coisa para falar. Então eu crio uma historinha, e essa historinha é composta por imagens que as pessoas possam seguir. De preferência, cada um pode tirar a ideia que quiser do meu trabalho.

Eu uso tudo que eu vejo na rua. Eu estou andando na rua, eu vejo um capacete de um guarda, que me atrai. De repente eu posso usar em uma instalação.

Eu sou formado em odontologia, sou professor de próteses da UnB (Universidade de Brasília). Gosto muito de próteses, que é uma parte de arte também. Tem que esculpir obturações, não é? Eu acho que tudo na vida tem arte.

Essa minha instalação última, Em Extremes, é uma viagem através de um cérebro. As pessoas vão andar no meio das células, dos neurônios, vão visitar a doença, que seriam os ratos devorando o cérebro, e chegar até a cura, que são os remédios, que vão estar em uma área da exposição. O cérebro vai ter o lado do bem, e o lado do mal. Acho que nem tudo é perdição. Tem o lado negro, o lado ruim, mas sempre tem o lado bom, que é a cura. Como em tudo na vida, tem dia que é bom, tem dia que é ruim. Tem dia que você está alegre, tem dia que você está triste. Eu acho que a tendência é sempre para o lado mais triste.”

“Essa relação que você tem com a cor branca, por quê esse espaço totalmente branco com seus objetos espalhados?”

“Deve ser o meu lado do bem, né. E ao mesmo tempo eu quero trazer um pouco de luz. O branco para mim é luz. E ao mesmo tempo ele não interfere no meu trabalho. O que é bom de instalação é isso, a percepção, como a pessoa sente. Sente bem, sente mal, gosta, me xinga, me aplaude. Eu fico feliz com qualquer coisa. Eu não quero que fiquem indiferentes, só isso.”

“Qual o impacto que mais te atrai junto ao público?”

“Eu acho que a inquietação? Eu adoro quando as pessoas me criticam, brigam comigo. Acho que me dá mais força. Prefiro isso quando ficam muito me elogiando. A arte é para todo mundo. Acho que todo mundo deve mexer com arte, por que não? Eu acho que tudo na vida tem arte.”

Novembro de 1999