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Armandinho Macedo e a história do trio elétrico de Dodô e Osmar

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Foi em 1950, Dodô e Osmar resolveram botar as guitarrinhas elétricas que eles tinham inventado desde os anos 43, 44, no tempo da guerra. Resolveram colocar em cima de uma forbica e sair tocando frevo porque eles tinham visto o vassourinha de Recife tocando frevo nas ruas de Salvador. Revolucionaram, bagunçaram o carnaval oficial, inclusive não tem nem reportagem porque eles eram os moleques que vinham lá da cidade baixa perturbar o carnaval da sociedade baiana.

“Não teve jeito. No primeiro ano foi uma fobica, no segundo uma caminhonete, no terceiro já entrou um patrocinador e já foi num caminhão e aí o negócio pegou fogo. Não teve mais quem segurasse e o trio elétrico tá aí, revolucionando o carnaval de todo o país.

“Era a dupla elétrica. No segundo ano eles botaram mais um, aí fizeram o trio elétrico. Depois embolou porque o som não tinha divisão de canais, aí eles tiraram o terceiro, mas o povão todo chama: ‘lá vem o trio elétrico!’. Era o nome do conjunto deles, não do carro! Passaram a chamar todo carrinho que surgiu depois com música de trio elétrico, e assim ficou generalizado o nome.

Eduardo Chauvet: “Começou sem querer e hoje é um dos principais do carnaval, carrega multidões. Existe inclusive um projeto na Câmara Legislativa apresentado pelo Moraes Moreira que quer cobrar royalties. Explica essa história!”

Armandinho: “Acho bacana isso, se for aprovado, porque isso vem ajudar as famílias de Dodô, a viúva do Osmar e a patrocinar uma escola de música, de guitarra baiana, que é um instrumento genuinamente baiano. É um instrumento que nasceu da tecnologia tropical, uma mistura de cavaquinho com bandolim, tem uma sonoridade brasileira e por muitos anos caracterizou o som do trio elétrico. Isso é super importante, ter uma escolinha comigo e meu irmão Haroldo, que tocamos a guitarra baiana, comandando, ensinando mesmo que de ouvido, colocando professores de música mas fazendo a parte intuitiva, a parte da música por osmose, aquela coisa que entra na gente.

“A gente vem colocando as nossas influências: a música pop, a música rock, Beatles, Jimi Hendrix, aquilo que fazia a cabeça da gente e de toda uma juventude. A gente vem integrando, incorporando isso à toda música, à música do trio elétrico, da guitarra baiana. Eu acho que essa é a continuidade da história, mas existe uma sonoridade bem original, uma maneira bem brasileira de se tocar essa história toda que acho que tem que ser passada para as novas gerações.

“Hoje em dia existe uma mídia que passa muita coisa fraca de material instrutivo musical.”

Eduardo Chauvet: “Por exemplo?”

Armandinho: “Olha, dar exemplos é difícil. Você liga o rádio e ouve alguma coisa boa e muita coisa que vem encher linguiça, assim como acontece na música baiana e em todo tipo de música, só que a mídia, por ser a comunicação mais fácil, leva muita coisa que passa logo, que você não lembra mais.

“Precisa conhecer, precisa ter uma instrução musical. Sou a favor de ensinar música aqui no Brasil, principalmente MPB, nas escolas. Eu sinto não ter tido isso na minha escola, essa informação que é a teoria musical que eu não tenho. Sou músico intuitivo, aprendi a tocar intuitivamente, mas sinto falta de uma teoria musical, uma coisa que eu poderia ter aprendido naquela época. Hoje em dia não tenho mais saco, fico só querendo tocar e assim vou embora. É o que eu faço até hoje!”

Março de 2000