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Banda 10zer04 com rock e atitude na periferia de Brasília

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Memórias do Brasil

Descrição:

Chokito: Periferia, infelizmente, é muito complicado porque são várias escolas fechadas e muitos bares abertos. O povo forte não precisa de um líder forte. A gente tá provando que quem vive na periferia pode fazer uma coisa legal. Acho que qualquer revolução começa com você. Se você conseguir mudar a sua casa você já vai estar mudando muita coisa, porque a outra casa vai mudar, o pensamento do seu amigo, o pensamento do seu irmão e assim a revolução começa.

Eu digo a revolução cultural, a revolução de você ter consciência do que você merece, sua atitude como cidadão. Você saber que você é um cidadão e tem direitos, e esses direitos têm que ser te dado, ninguém pode te tirar isso.

A gente tá lutando, a gente tá correndo atrás. Com música, com skate, com esporte. Deveria ter um investimento maior nessa área de esporte, lazer pra galera da periferia. A mídia o que visa mais a periferia é que só tem marginal. E mesmo assim o esporte é até um escape pra galera sair das drogas, encontrar um caminho bem melhor.

Acho que o que pode fazer com que mude isso… melhorar a vida difícil que a gente já leva sem apoio do governo, sem apoio de nada, a gente tá tentando mostrar que nós somos capazes de fazer alguma coisa de legal. O skate veio depois que o asfalto chegou aqui. A gente começou a ver que a gente podia fazer a nossa diversão. A gente aproveitou um estacionamento morto, que ninguém usa, pra gente se divertir, a gente mesmo constrói as rampas. Aí surgiu a ideia da banda…

Antes desse disco a gente tinha gravado uma fita demo. A gente deu pra um monte de lugar e ninguém ligava. Aí, de repente, uma pessoa liga. “Oi, eu sou o Felipe da Plebe Rude, eu tô a fim de produzir a banda de vocês, eu gostei do som de vocês e tô a fim de produzir.”

“Felipe: 10ZERO4, a banda que eu tô produzindo”.

E aí nós entramos nessa empreitada. O Felipe meio que apadrinhou a gente.

“Felipe: São meus filhotes”

Não no sentido daquela dependência, mas de pegar a gente pra fazer o CD, gravar ali, porque ele sabe que é difícil uma banda que tá começando conseguir chegar até um CD.

Tocar num evento grande como o Porão é sempre legal porque é entrada franca então vai muita gente. Acho que foi o maior público que a gente tocou. Acho que a noite que a gente tocou deu umas 60 mil pessoas, segundo a polícia.

Acho que a única arma que o oprimido tem é o grito. É o que a gente vai fazer até quando for preciso.

Agosto de 2001