Barbatuques, grupo de percussão corporal cênica e canções populares

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Barba é meu apelido. Meu nome é Fernando Barbosa. Na escola me deram esse apelido de “Barba”, eu nem tinha barba ainda. E eu, desde cedo, tinha um gosto por música, por batucar. E acho que lá pela minha adolescência eu comecei a descobrir um batuque misturando esses sons aqui. E nessa época, uma amiga que é integrante até hoje do grupo, a Lu Horta, me batizou Barbatuque, porque eu me batucava muito. E eu nem sabia que isso ia gerar, mais para a frente, um grupo ou um trabalho de oficina, né.

Em 1995, eu já fazia bastante percussão corporal e eu resolvi começar a ensinar. Resolvi abrir uma oficina de percussão corporal no ano de 95. Daí os alunos mais adiantados foram formando um grupo mais interessado e a gente resolveu levar esse trabalho para o palco. Em 97, 98, a gente começou primeiro participando de shows de outros artistas até a gente resolver se arriscar a fazer um show inteiro de percussão corporal. A gente tinha muita dúvida. “Será que vai dar certo um show inteiro só disso? ”. Então a gente começou a pesquisar várias dinâmicas, que sons que a gente pode variar, como entra a linguagem cênica. E hoje acho que o grupo consegue realizar um show variando todas as possibilidades da percussão corporal.

Em 2002, a gente lançou pelo selo MCD o nosso primeiro CD chamado “Corpo do Som” que registrava toda essa pesquisa de adaptação de ritmos brasileiros para percussão corporal, um pouco de improvisações, adaptações de canções populares e deu origem ao show “Corpo do Som”, que é o que a gente está apresentando aqui em Brasília hoje.

Eu acho que essa coisa do show e da oficina foi gerando possibilidade de viajar um pouco mais, de levar o trabalho para outros lugares. Hoje em dia, a gente já toca em várias capitais do país dando oficinas também. E ano passado nós estivemos em uma feira da indústria fonográfica em Cannes, na França e tocamos em Paris também, onde eu fiquei por mais um tempo e dei várias oficinas.

Acho que essa linguagem de sons vai além da língua. Acho que cada país tem a sua cultura, tem seus sons próprios. Então, acho que tanto o show quanto a oficina foram bem recebidos lá. E ano que vem a gente volta, é o Ano do Brasil Na França. A gente está fechando algumas apresentações lá para tentar representar o Brasil de novo na França. Não é um trabalho só de apresentar, mas de pesquisa também, de fundamentação.”

Outubro de 2004