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Basirah Cia de Dança contemporânea parte 2

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Sebastião” é por causa das fotos do Sebastião Salgado. Esse foi um trabalho muito legal que foi feito com o Basirah porque foram três coreógrafos. Cada coreógrafo teve total liberdade para pirar em cima das fotos. Eu tinha a ideia de que eu queria trabalhar com terra. A música e o cenário acabam sendo elementos unificadores desse espetáculo de três coreógrafos.

“Uroboros” foi um trabalho muito diferente. Um retorno a muitas coisas que eu pensava em termos de criação de movimento e foi uma retomada, para mim, de um começo. Ele tem elementos que, daqui para frente, eu quero trabalhar como pesquisa de movimento, de linguagem de movimento. E a proposta era um pouco essa: não vamos nos preocupar aonde vamos chegar. Vamos experimentar movimentos. Queria muito experimentar outros caminhos de busca de movimento. E aí deu “Uroboros”, que acabou falando um pouco da questão da espiritualidade, das origens, da raiz.

Em Brasília, eu como nasci aqui e morei aqui a vida inteira. Eu sinto isso, que a gente é separado. A gente mora muito longe um do outro. Os prédios são muito longe, tem uns espaços verdes enormes, que a gente tem que andar muito para chegar na casa do colega. Então a gente tem que pegar um carro para poder ir para outro lugar. E isso gera uma solidão. Esse trabalho tem um pouco a cara disso. A solidão pode ser por opção, a solidão pode ser porque você realmente está sozinho, não tem mais como fugir. Ou é uma solidão que você aceita, ou é uma solidão que te deixa triste. A gente não defende nenhuma bandeira no espetáculo, mas ele passa pelo meio dessa solidão.

Eu, pessoalmente, várias vezes já desisti. De cansaço mesmo, de ter que fazer tudo, de ter que fazer toda a produção por não conseguir montar uma estrutura administrativa mínima e com segurança para a gente dar continuidade no trabalho. Eu acho que o que move é o desejo de estar fazendo.

A gente não tem um incentivo que garanta a permanência de estar pesquisando. A gente tem que estar sempre fazendo um produto novo para ganhar dinheiro por ele. Aí não existe um amadurecimento de linguagem real. A gente está sempre apresentando uma coisa nova. O que não deixa a gente parar com isso é simplesmente o fato de que, se a gente para, a gente simplesmente vai deixar de fazer. Porque esse espaço não vai ser gerado do nada.

Então, de alguma maneira, mesmo se batendo, a gente está gerando esse espaço. E a gente está, além de aprendendo, ensinando também. Tanto para o público quanto tendo o retorno dele. Então se a gente estagnar a gente para como artista também. Ninguém quer morrer como artista. Então a gente continua por esse tesão de vida, que foi opção de cada um.”

Junho 2004