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Brasília Fest Rock 2000 com Los Hermanos

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Memórias do Brasil

Descrição:

Tina Vieira: O que você está achando do Festrock e desse show?

Patrick Laplan, Los Hermanos: Excelente. Muita gente que, para a nossa surpresa que nunca tínhamos tocado em Brasília, conhecia o disco inteiro. Mas acho que tem uma galera que veio ainda meio estigmatizada pelo negócio da Ana Júlia, da superexposição que a música teve. O pessoal brigou um pouco com a gente mas foi muito bacana. A grande maioria pulou com a gente.

Tina: Como é que é isso de ter a resistência do público de vez em quando?

Patrick: Para a surpresa de todos é super divertido porque em vez de você bater de cara, você fica tentando convencer e daqui a pouco está todo mundo pulando com você. Isso é muito bacana.

Tina: E aí, que tal o show?

Amarante, Los Hermanos: Bom, muito bom!

Tina: Ele estava falando que o pessoal implica um pouco com essa história da Ana Júlia, tem uma galera que fica com uma resistência. Vocês que cantam Ana Júlia todos os dias, em todos os shows, tem hora que enche a paciência?

Amarante: Pra quem está do lado de fora deve achar mesmo porque uma música que toca tantas vezes, se ninguém reclamar, é porque tem alguma coisa errada. Porque o errado é isso, não ter diversidade, ter uma monocultura. E você ter a cada época um estilo musical só que impera… todo mundo tem que engolir, todo mundo gosta. Cada hora é um estilo. Aí agora estão dizendo que o pedestal é pro rock. Vamos botar o rock no pedestal agora. Isso é ótimo mas tem um lado podre que é isso da monocultura. Então as pessoas que estão lá “ah, Ana Júlia” tem sua razão. E ainda bem que elas existem porque imagina se a gente tem a pretensão de que todo mundo goste da gente. Mas isso é fruto de uma coisa mal cheirosa chamada mercado fonográfico.

Marcelo Camelo, Los Hermanos: A gente respeita muito a opinião de todas as pessoas, mesmo das que vaiam. E a gente tem feito shows por causa do estigma que Ana Júlia criou acerca da nossa banda. A gente está pouco acostumado a fazer shows em ambientes de rock. É meio para conquistar a plateia. A gente entra com a plateia perdida já. E a gente geralmente consegue consquistar e eu acho que foi o que aconteceu hoje. Boa parte da plateia nunca tinha ouvido falar, conhecia só Ana Júlia. Parte dela odiava, parte dela gostava. Eu acho que no final mais gente saiu satisfeita do que insatisfeita.

Tina: Tocar em Brasília, uma cidade de onde saíram Paralamas, Legião, como é que é?

Amarante: É uma responsabilidade. O público é um público crítico. Está acostumado a ouvir muita coisa boa. Muita gente gostou do show, pelo que deu para sentir. Isso é um troféu, foi muito bom. A gente pulou até o fim, então deu tudo certo.

Marcelo Camelo: As minhas referências de Brasília são outras, é Little Quail, Rumbora, Maskavo Roots. São bandas que me influenciaram bastante a tocar, a começar a fazer som. Principalmente o Little Quail e o Maskavo, que são duas bandas que eu sou apaixonado.

Tina: Você já conheceu um cenário musical que veio bem depois, uma galera mais nova, que já fazia um som bem diferente.

Marcelo Camelo: É claro que não dá para ignorar a influência de todas essas bandas que você citou, do Paralamas, da Plebe, do Legião na cena roqueira nacional. Mas eu como tenho 22 anos, eu fui zineiro por muito tempo, então a minha vida underground circulou muito por essas bandas que eu te falei. E o cenário dessa geração, ao contrário do que muita gente acredita, é muito rico e muito plural. Bandas muito boas no país inteiro. E eu acho que se tem alguma coisa de boa que essa volta do pop rock pode trazer é descobrir um pouco dessas bandas que existem no país inteiro, bandas maravilhosas que ninguém nunca ouviu, o grande público não conhece.”

Maio de 2000