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Cabra Cega, um filme de Toni Ventura com Jonas Bloch e Débora Duboc

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Memórias do Brasil

Descrição:

Toni Venturi: 1971. Brasil. Ditadura. Anos de chumbo. Um guerrilheiro ferido é obrigado a ficar escondido, confinado em um apartamento de um simpatizante em São Paulo, um grande centro urbano. A organização clandestina a que ele pertence está se desmoronando, está se esfacelando e o contato dele com o mundo é Rosa. Ela é uma militante, ela não está na linha de frente, ela não pega em armas, mas é enfermeira, ela cuida do ferimento dele. E o chefe da organização é Mateus, nosso queridíssimo Jonas Bloch que é o cabeça, é o cérebro da organização, a pessoa mais velha, mais consciente.

Jonas Bloch: Ao mesmo tempo que fala de uma imagem forte, de quem estava combatendo a ditadura, fala da humanização dessas pessoas, que é uma visão que, durante muito tempo, a ditadura tentou esconder, que não eram pessoas decentes e a favor de um mundo melhor. Eram pessoas revoltadas, terroristas etc. E não, a gente queria um Brasil melhor, plantar isso que está aqui hoje.

Débora Duboc: Por ser uma época de muita urgência, todos os sentimentos estão em uma potência muito grande. Então o amor acontece de uma forma explosiva, o medo também.

Toni Venturi: Está tudo à flor da pele. E eu acho que o filme traz um pouco essa urgência. Ele começa meio lentão, ele vai te pegando, vai te cativando, vai subindo, o ritmo vai aumentando para explodir no final. É um filme de garra, visceral, e de atores. E eu acho que isso foi a grande aposta. Eu apostei nos meus atores, o Leonardo Medeiros ganhou o prêmio de melhor ator aqui em Brasília.

Esse filme parece que ele traz aquilo que está acontecendo no cinema nacional. E nesse, especialmente, com mais intensidade, que é a paixão por fazer cinema. E é isso que a gente tem superado. Porque a nossa verba é 0000,01% do que os americanos gastam em publicidade. E é impressionante como o Brasil está na moda, como as pessoas gostam do nosso trabalho. Só aqui mesmo que a gente não consegue veicular nosso trabalho, não tem espaço para distribuição porque há um boicote americano descarado, sem vergonha mesmo, e as pessoas não tem coragem de falar isso. Então está aqui o meu protesto. Já que é um filme que fala contra a opressão, eu estou falando contra essa opressão também. Esse é o movimento dos sem tela.”

Abril de 2005