Cachorro Cego, a Marijuana blues e outros sons

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Essa banda já está aí na estrada aqui em Brasília há 7 anos e se desfez no começo desse ano. Saíram alguns músicos, foram fazer outros sons por esse mundo afora. E a banda estava desfeita desde então, desde janeiro desse ano. Até que em um grande dia de junho um cara lá de São Paulo me ligou, do programa Ultrassom, e convidaram. Eu falei que a gente ia. Mas a gente não tinha uma banda. Mas falei “beleza, daqui duas semanas”. Liguei para o Guigui, que é o nosso gaitista. “Você topa?” “Lógico”. Juntaram-se a nós o Marcelinho no baixo, o Léo Dibola na guitarra, o Edson Travassos na outra guitarra, Dino Verdade na bateria, como eu disse, Guigui Trotta na gaita, e eu, Cachorrão. E o Cachorro Cego estava pronto para mandar bala de novo.

Nós já nos conhecíamos antes dessa história. Mas com a música é diferente. Você tem que se conhecer com os instrumentos na mão. É uma outra história.

Aí escolhemos a nossa música, a Marijuana Blues, que é uma música que a gente já vinha trabalhando. O pessoal daqui de Brasília conhecia bastante. E nós tivemos duas semanas para ensaiar antes de ir a São Paulo. Entramos em uma van, foram dois dias juntos como se fosse uma família. Chegamos em São Paulo, tocamos em um dia, no dia seguinte já estávamos voltando para Brasília. E ganhamos com uma votação super expressiva.

Marijuana Blues é a música que foi eleita a melhor do Ultrassom, que é um antigo sucesso da banda. Recente, agora.

Então surgiu o segundo CD do Cachorro Cego, Cachorro Cego 2. É um CD promocional que contém 7 músicas. Ainda é aquela história. Como a gente é uma banda independente, a grana para bancar um CD com 12, 15 músicas ainda não dá. Então a gente prefere fazer uma coisa com uma quantidade legal, mas a intenção ainda é divulgar o trabalho, que a gente possa ter o retorno de uma gravadora e quem sabe levar ao Brasil inteiro.
A preocupação da banda é falar o que rola na cabeça das pessoas, o que acontece no cotidiano. A gente não quer falar do que ninguém nunca viu, ninguém nunca ouviu. A gente quer falar do que acontece com a gente, do que já aconteceu comigo, com você e sempre vai acontecer.

“Véi” foi a música que a gente escolheu para ser a música de trabalho exatamente porque ela fala de Brasília, das pessoas de Brasília, do jeito das pessoas falarem em Brasília. Porque as pessoas em Brasília falam muito “veio”. Tem amigos meus que usam “veio” como vírgula. Tipicamente de Brasília.”

Novembro de 1999