Cássia Eller em uma das últimas entrevistas

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Cássia Eller pela terceira vez em Brasília, mas primeira vez em Taguatinga tocando com os Raimundos. Qual a expectativa pra essa apresentação com os Raimundos? Algumas surpresas?”

“Cara, tá engraçado assim, porque eu to parecendo uma adolescente, uma criança doida pra ver a farra, porque vai ser uma garotada da porra lá. Eu não me ligo muito assim pra essa coisa do perfil do público. Não é que eu não dê importância pra isso, é que é uma coisa distante de mim pra ficar pensando, mas eu tenho uma coisa em comum com os Raimundos que é do deboche, da crítica, de sacanear mesmo, criticar o comportamento de todo mundo, dos caretas e tal.”

“Falando um pouco do segundo CD, teve uma receptividade muito boa do público, da mídia. Que diferença você vê, tão grande assim de repente, de um CD pro outro?”

“Cada um é uma história, mesmo porque eu levava uma média de dois anos pra gravar um disco. Aliás, é um espaço de dois anos pra gravar o próximo disco. Então em dois anos acontecia muita coisa e eu sou cantora, sou mulher, sou feminina. Eu canto as coisas que estão acontecendo comigo na minha vida. Se eu cantar coisa que não tem nada a ver comigo, ela vai ficar sem graça e eu não vou querer fazer.”

“Cada vez mais você tem trazido mais e mais público aqui pros seus shows em Brasília. O último então, que foi num shopping da cidade, estourou, foi super comentado.”

“É, isso tem acontecido. No começo, nos primeiros anos, era difícil demais. Eu costumava fazer show mais na Sala Villa Lobos e a gente nunca tinha lotado. A gente lotou uma vez nas temporadas populares e que também custava uns dois reais, três reais, não lembro bem, era simbólico mesmo. Foi a única vez que a gente lotou, mas é difícil mesmo de encher aqui em Brasília. Eu já tenho medo também de vir pra cá, por ser a minha casa e me sentir em casa assim. E o público que tá no meu show me dá um pavor na hora que tô cantando porque eu conheço todo mundo que tá sentado ali. Então não é muita novidade, os caras já me conhecem do avesso de outros carnavais, mas é legal, é um desafio pra mim, eu gosto disso.

“Adoro viajar, adoro estar com a galera da banda. Cada show é uma história diferente, sempre acontece uns imprevistos maravilhosos em que a gente usa a criatividade pra resolver os problemas. Eu gosto disso, de estar na estrada.”

Dezembro de 1999