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Cena Contemporânea em sua 6ª edição em 2005

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Memórias do Brasil

Descrição:

Cena Contemporânea em sua 6ª edição em 2005

Eduardo Chauvet: Sexta edição. Cena Contemporânea 2005, como funciona, como é que se dá aí a apresentação de diferentes grupos em diferentes pontos da cidade?

Guilherme Reis: A cidade vira uma festa de teatro e da dança. A gente tá em oito espaços da cidade, são cinquenta e quatro sessões em doze dias, muita coisa de graça pra todo mundo poder assistir. A gente tem espetáculo de Brasília, tem espetáculo do Brasil e espetáculos da Polônia e do Irã. De São Paulo tá vindo A Entrevista, da Lígia Cortês e do Marcelo Lazzaratto.

Marcelo Lazzaratto: A Entrevista é o seguinte, ela é realmente uma entrevista, de televisão. Quem vai ser entrevistada é uma escritora famosa do momento, quem tem uma literatura profunda, vasta, densa. Só que quem vai entrevistá-la é seu ex-marido. Então esse casal teve problemas no passado e aí, depois de muito tempo que eles não se encontram, ela não responde mais telefonemas dele, tudo mais. Ele a chama pra fazer essa entrevista, assume o lugar do âncora porque ele é o chefe da tevê e aí ele vai entrevistá-la. O que é muito bacana no espetáculo é que vai tecendo uma relação da questão pública, da literatura da escritora, dos prêmios que ela tá ganhando, da visão de mundo que ela tem, e ao mesmo tempo essa relação privada vai aparecendo nas entrelinhas, o acerto de contas do casal. Tudo de maneira muito sutil, muito sofisticada, muito delicada, um espetáculo muito simples mas muito profundo. É uma agulinha que vai penetrando o coração da gente, a identificação é muito grande.

Guilherme Reis: Nem sempre a gente consegue trazer tudo que a gente gostaria de trazer porque não tem grana pra isso. Mas a gente busca qualidade e busca também espetáculos que não viriam, que dificilmente estariam na cidade num sistema comercial de teatro, cobrando o ingresso caro que a gente paga aqui. Possibilita a vinda de espetáculos que estão fora desse circuito, estão trabalhando o teatro mais como um fenômeno cultural e que buscam sim a renovação da linguagem do teatro.

Eduardo Chauvet: Então o momento é único, quer dizer, é agora ou agora.

Guilherme Reis: É agora ou agora, são doze dias, todo dia tem que ir pro teatro. Se você pensar que a gente tá cobrando um ingresso mais barato do que ir pro cinema, se você for pro shopping pagar um ingresso pro cinema é mais caro do que entrar no teatro. No teatro você tem gente ali, é quente, é na hora que acontece.

Eduardo Chauvet: Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro da Caixa, Funarte, Plínio Marcos…

Guilherme Reis: Teatro Goldoni, Teatro Garagem, Teatro Caleidoscópio no Sudoeste. O festival também abre um espaço novo na cidade a partir desse ano, ali na 205 norte, aquela quadra esquisita da 205/206 norte. Ali já está com um espaço lindo de morrer, ali tem estacionamento pra todo mundo, é bacana. Ali vão acontecer os encontros, as oficinas, tem muita atividade. E a partir do final do festival em diante, a gente começa um processo de montagem de espetáculos de pequeno formato, várias oficinas, filmes, vídeos, é um espaço para informação teatral.

Outubro de 2005