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Cultura de Paz é integração, proatividade, coragem e transformação – parte 1

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Pra gente começar a falar de uma cultura de paz é muito legal antes a gente refletir sobre a palavra paz. Porque a gente usa muito essa palavra indiscriminadamente e não necessariamente a gente está falando da mesma coisa. Então quando eu comecei a pesquisar sobre esse assunto, antes de escutar os livros e teóricos eu falei “bom, eu tenho que ir pro campo, eu tenho que escutar esse fenômeno vivo”. Aí eu saí por aí e perguntei pra mais de 500 pessoas “o que é paz para você?”. Na universidade, na rodoviária, nos congressos de especialistas. A maioria das pessoas traz essa ideia de que paz é ausência de conflitos, de que paz é uma coisa imperturbável. É é justamente o contrário. Quando a gente começa a estudar o que é a paz de fato, a gente vê que a paz é esse movimento. Paz é a integração, paz é proatividade, coragem, é transformação.

Se a gente escuta a história desse conceito, é muito interessante. Porque começou lá com os gregos na Grécia, a deusa Pax, que é uma deusa de prosperidade e de abundância. Quando entraram os romanos já veio aquela história. “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Então começou aquela ideia de que estar tudo em paz é ter um certo controle. E aí foram várias ideias. O professor Marcelo Rezende que desenvolveu isso muito bem refletindo sobre as diversas simbólicas que esse conceito tem. Um conceito mais assim de Platão, de Santo Agostinho, tem um pouco dessa serenidade. E depois foram vindo outros movimentos. Aí já tem os movimentos mais modernos com Gandhi, por exemplo, que traz a paz como justiça social, como igualdade, como confraternização, como respeito às diferenças. Tem o movimento romântico que traz os valores, esses valores mais singelos. Então, a cultura de paz é a gente construir essa nova visão que tem todos esses conceitos positivos mas que não tem essa percepção de estagnação, de passividade. Tanto é que o Gandhi, quando ele começou o movimento dele de não violência, ele chamava de resistência passiva. Porque ele falava “nós não vamos atuar dessa forma agressiva, destrutiva”. Mas depois ele trocou o nome para satyagraha, que é a luta pela paz e pelo amor. Ou seja, já tem um movimento de ação numa direção. Porque nas escolas, quando a gente estuda história, a gente não estuda período de paz. A gente vai de guerra em guerra. São as guerras, os heróis que são vistos como algo interessante. E a gente não para pra se debruçar sobre os períodos de paz, que é quando as coisas realmente avançam sobre aquilo que… claro, a guerra pode trazer vários desafios por meio das dificuldades… mas é muito no meio da solidariedade, da criatividade, da integração, que os maiores avanços podem acontecer.

Então a Cultura de Paz é um conceito que tem sido muito trabalhado tanto pela ONU, por diversas organizações, quanto pela sociedade civil. É a gente começar a trabalhar isso coletivamente, de uma forma transcultural, agregando as diversidades, a educação pra uma Cultura de Paz pra trazer toda essa nova visão.
Fevereiro de 2010.