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Cultura de Paz é integração, proatividade, coragem e transformação – parte 2

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Memórias do Brasil

Descrição:

A construção de uma Cultura de Paz não pode prescindir de nenhum agente social. Cada um de nós, onde quer que a gente esteja pode refletir. “Puxa, como eu posso trabalhar no movimento de paz?” Por exemplo, da minha parte, que sou psicóloga, eu peguei a minha abordagem, que é a Gestalt terapia e fui refletir. Como que a Gestalt terapia, dentro da psicologia, pode ajudar a gente a construir uma Cultura de Paz?

Primeiro eu investiguei 2 conceitos fundamentais que estavam muito contaminados, que são 2 conceitos que a gente lida muito com eles. Um é conflito e o outro é agressão. Desde pequeno a gente é educado e a gente vê em toda parte… inclusive muitas das pessoas que eu perguntei “o que é paz para você?” falaram: “ausência de conflitos”. Isso é uma das coisas que a gente precisa mudar.

Cada vez que a gente encontra algo novo, isso é um conflito. Por quê? Porque o conhecido, o antigo, não traz nenhuma novidade, é o mesmo. Então a gente não precisa ter nenhuma energia extra. A gente simplesmente flui. Quando surge algo novo, isso é um conflito. Mas olha como isso é positivo. É uma novidade. Agora, ela gera emoções porque eu não conheço aquilo. Tenho que me abrir para aquele fenômeno. Então quando a gente encontra conflito, vem a energia da agressão. Ela também é natural de todo organismo saudável. O Perls que é um dos psicólogos, é o principal da Gestalt terapia, digamos assim, ele usava uma metáfora pra gente que é a metáfora do nosso sistema digestivo. Quando a gente encontra algo novo, que a gente vai se alimentar, a gente tem que mastigar, fazer contato com os nossos dentes. Para aniquilar nosso alimento? Não, pelo contrário. Para aumentar a superfície de contato com ele e transformar aquilo, não ser algo estranho dentro de mim. Mas se é algo que eu interagi, que eu fiz contato, as enzimas vão assimilar e eu posso dizer que isso é meu. Então de certa forma isso é o conflito. E essa é a energia da agressão. Essa é a energia de transformação, de fazer contato para não ter algo estranho. Não ser aquilo que é engolido goela abaixo.

(…)

Então, talvez a gente tenha um certo receio dessa grande transformação. Então. a gente prefere ficar com esses conflitos banais, que é o que em Gestalt terapia a gente chama de ‘paz negativa’, que é pacificar prematuramente os conflitos. Em vez da gente avançar, transcender… “que conflito é esse? Vamos lidar com ele”, a gente diz “não, deixa, tudo bem”. Como, às vezes, a gente faz nos nossos relacionamentos. Já percebeu que alguma coisa não está legal, em vez de sentar, conversar, descobrir como que a gente pode fazer… no nosso trabalho ou na nossa família… a gente vai colocando a sujeirinha por debaixo do tapete, como se isso fosse garantir a paz.

(…)

Então isso começa num nível individual. No nível social então… É aquela história de jogar o lixo pela minha janela porque a minha casa está limpa. Mas o que é a minha casa? Relativizar esses conceitos. Perceber que está tudo conectado. Se eu faço o bem para o todo profundamente, isso vai reverberar para mim. Não está separado. E é a mesma coisa com a natureza. Às vezes, a gente aponta… “onde está a natureza?” “ah, está lá na árvore, na florestinha, na flor”. E não, eu sou natureza. Então uma Cultura de Paz também traz toda essa consciência de integração, de interligação, de interdependência. Que também tira o ser humano de um centro, que a gente ficou pensando que era a razão de tudo, e depois a gente começa a ver que a gente realmente é muito importante, o humanismo diz isso, mas cada subjetividade, cada ser tem também a sua importância, o seu valor. E sem isso, se desequilibra. É aquela história. Sem as abelhas lá não sei onde, a gente não consegue comer. A terra vai ensinando pra gente.

“Diz um ditado africano: se você quer ir rápido, caminhe sozinho. Se você tem que ir longe, caminhe junto. Nós precisamos ir longe e rápido” Al Gore.

Fevereiro de 2010.