Daniela Mercury fala da vida e de suas paixões

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Memórias do Brasil

Descrição:

Daniela Mercury: O disco saiu em outubro. “Sou de qualquer lugar”, o nome do disco, é uma canção de Lenine e de Falcão. Nesse disco eu mantenho a minha pesquisa com percussão mas comecei a fazer uma pesquisa, desde o disco anterior “Do sol da liberdade”, com novas tecnologias. Utilizando sonoridades diferentes, timbragens diferentes dos teclados… eu acho que o grande espaço que a gente tem para alteração, para modificação, para renovação do trabalho é com timbragens.

Eu acho que eu estou revelando o outro lado como compositora e que sempre acabam dando um pouco da cara do disco que é um pouco mais feminino. Quis continuar a colocar nos meus discos essa leveza, seja com temas diferentes do que eu venho trabalhando em outros discos meus.

Eu tenho uma sede de tanto de cantar outros compositores como intérprete quanto dialogar com outras cidades do Brasil, dialogar com outras cidades do mundo, bebendo o máximo de coisas que eu posso. Acho que sou muito antropofágica.

Em horas de lazer, no meu carro quando eu não preciso pesquisar nem trabalhar especificamente, uma coisa eu tenho ouvido: uma compilação de Chico. São músicas que eu adoro. É o compositor brasileiro que eu mais gosto de escutar, é o que eu mais me identifico. É Chico Buarque.

É bom, tem algo de encontrar comigo mesma quando eu ouço a minha voz. Às vezes eu gosto, às vezes eu não gosto. Às vezes eu gosto do timbre, às vezes eu acho o timbre chato. Às vezes eu encho o saco da minha voz. Não sei se é melhor agora, melhor antes. Eu me acho mais engraçada e mais interessante às vezes em coisas antigas. Outro dia eu vi um especial que eu fiz, me vi cantando “Todo Menino do Pelô”. Achei aquilo tão bonito!

Quando a gente canta, a gente só fica na esperança das pessoas ficarem felizes como a gente quando está cantando… de receberem aquilo que a gente faz.

Eu me sinto muito bem, me sinto muito acolhida, muito em casa aqui (Brasília). Eu vou pedir desculpas porque já tem um tempo que eu não venho aqui com shows e eu espero estar com vocês. E sempre que vocês estiverem tristes, espero poder cantar pra vocês. Aliás, espero poder cantar pra vocês, não só quando vocês estejam tristes mas quando estejam alegres… e queiram dançar comigo. Vai ser um grande prazer estar com vocês sempre. Eu não me despedi né, Tchau, um beijo pra vocês todos.”

Maio de 2002