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Diálogos do pênis, uma comédia irônica, fina e inteligente

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Memórias do Brasil

Descrição:

“O Beto é um cara que é assim direto nas coisas dele. Ele não tem muita elaboração das coisas. Ele é um cara pragmático, direto, objetivo. Por isso, ele é considerado grosso como o Marcos falou, mas não, ele é objetivo, prático, resolvido.

O Lula, o personagem que eu faço, ele é o oposto do Beto. Ele é meio refinado. Toma um vinho vai e envolve a mulher. Elogia a mulher, mas sempre com uma segunda intenção.

São praticamente muito amigos, tanto que em algumas situações da peça, se eles não fossem muito amigos, eles não passariam bem por essa situação.

Onde é que você faria uma peça em que as mulheres falassem de homens? No banheiro. Elas vão ao banheiro para falar isso. Os homens não vão para o banheiro para falar de mulheres. Eles vão para um bar.
O autor é muito legal nesse ponto. Um cara vivido da nossa faixa etária e também um cronista. O Carlos Eduardo Novaes.

A peça é uma brincadeira muito mais uma brincadeira como titulo. A gente fala da reação causada pela mulher no universo masculino. Na maioria das vezes, quando a gente termina o espetáculo, as mulheres vêm falar com a gente. Os homens também: “pô, você sabe que o meu marido é igualzinho. Igualzinho a esse personagem que você faz aí na peça.” A gente fica meio assim.

Isso se chama catarse, quando o público se identifica com a personagem. Isso acontece muito durante o espetáculo. Eles participam. A reação deles nos provoca também outra reação e tem uma certa comunicação. Daqui mesmo ninguém vai na plateia, ninguém mexe com ninguém, mas tem algumas perguntas, algumas brincadeiras… tem uma pergunta que eu faço pra um marido qualquer, no que eu termino a pergunta, a mulher bate no cara. O cara nem respondeu.

É uma comédia irônica, fina, inteligente onde a gente faz rir, mas também faz pensar.

Nós temos 3 momentos da peça que nenhum lugar dos que a gente foi, nem no Rio de janeiro, deixaram de rir com aplausos.

Nós somos completamente diferentes dos personagens da gente. Na verdade, talvez a gente devesse estar fazendo o contrário.

Mas o bom é isso. Fazer o contrario da gente. Isso é um exercício de interpretação. O exercício do ator é procurar fazer com verdade o contrário do que você é e isso que é animador, isso que é teatro.”

Março de 2003