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Dominguinhos, suas histórias e a vida com Gonzagão

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Deixa eu ver aqui um xotezinho bonito.
Eu sou Dominguinhos!

Teve uma época da minha vida com os meus dois irmãos que formavam um trio junto comigo. Nós começamos a tocar no programa de Fernando Castelão da Rádio Clube. O dono da Rádio Clube de Pernambuco nos deu uma sanfoninha de 48 baixos, aquilo foi um maná foi uma coisa maravilhosa, foi ali realmente o começo de tudo.

Eu tinha 8 anos, Moraes tinha um pouco mais de 10 anos, não sabia quem era Luiz Gonzaga, não sabia quem era artista nenhum. Com 8 anos a gente não tinha nem rádio.

Aí nos colocaram para tocar para aquele cidadão e ele deu dinheiro, deu o endereço dele, foi uma coisa programada por Deus. Aí foi assim o nosso conhecimento com Gonzaga. Toquei essa música aqui. Foi a primeira música que eu toquei com Gonzaga.

Eu aprendi muita coisa com Gonzaga. Passei a ser um filho do Gonzaga. O segundo pai pra mim era o Gonzaga porque ele me ajudava de um modo geral, me aconselhava. Eu passei a ter um convívio com o Gonzaga que eu acho que não é qualquer pessoa que tem em matéria de ajuda musical e na vida de um modo geral.

De vez em quando eu faço um show que a galera inventa com a sinfônica, com a orquestra grande e aí eu tenho que fazer um roteiro se não o maestro fica doido… mas de resto os caras anotam umas coisas. Quando chega na hora, eu mudo tudo, dou o tom pra eles e eles saem acompanhando porque músico não precisa ensaiar muito não. Ele já sabe pra onde vai.

Eu me sinto muito bem aqui, primeiro porque tem muito cabeça chata. Cearense, piauiense, paraibano, baiano, então aí junta com os goianos, os mineiros… povo alegre, pessoal respeitador que conhece o seu trabalho. Então, eu me sinto muito bem tocando em Brasília.

A idade da música não existe. A pessoa vai amadurecendo. Parece que a música vai ficando melhor. Os 50 anos de carreira traz uma retrospectiva muito séria da sua vida, você começa a pensar. Não é como essas pessoas bestas que acham que quando fazem 30 anos tem uma crise. Outra com 40. Outra com 50. Inventa sempre uma coisa e fica triste. Eu não. Fiquei foi alegre e achando que eu ainda estou podendo puxar a minha sanfona e às vezes até carrega-la. Porque quando você tem um certa idade, você precisa de um menino pra carregar né, ela tem 13 quilos no peito com mais 3 do estojo.

Eu acho que os momentos foram todos bons. A vida é uma beleza. Se ela fosse ruim, ninguém queria morrer né? Todo mundo queria morrer logo…e mas quando a gente pode está com o olho aberto… chega mais menino é bom demais!”

Maio de 2003