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Dona Percilia, uma senhora de 68 anos que tinha que escrever escondido do marido

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu escrevi para desabafar. Muitas coisas que eu tinha vontade de falar, eu não podia falar.

O marido da senhora não gostava que a senhora escrevesse? Por quê?
Não gostava. Medo de eu crescer, ficar mais do que ele, talvez.

A senhora escrevia escondido dele?
É. Eu escrevia as poesias e escondia. A gente era muito pobre. Eu falei: vou fazer esse livro em nome de Jesus. Nem que eu passe fome, mas eu faço esse livro. Fiz esse primeiro livro.

A publicação dele foi em 1988?
1988.

De lá pra cá a senhora já lançou 3 livros?
Três. Tem um que vai ser feito agora. “O Céu espera por mim”

O que falta hoje para a senhora poder lançar esse livro?
Falta computador, para digitar. Falta dinheiro. A gente tem que trabalhar até hoje, tenho 62 anos. Trabalho para fazer meus livros.

Fora o seu trabalho como escritora, a senhora trabalha onde?
Na Escola Classe número 38. P Norte, Ceilândia.

Tem quantos anos que a senhora mora em Brasília?
29 anos. Morei 8 anos no Gama e em 79 eu mudei para o P Norte.

A senhora tem quantos filhos, netos? Qual o tamanho da sua família?
26 pessoas. 5 filhas, 3 filhos, tenho um filho adotivo. Também tenho um sobrinho que mora comigo. Em casa não tem espaço para esse tanto de gente, né.

A quantos anos a senhora trabalha aqui na escola?
3 anos.

Todos os dias de manhã a senhora está aqui fazendo a merenda dos alunos?
Das 6 e meia até as 12 e meia. Desde 1979, nas reuniões, eu vivo pedindo o espaço cultural. Nunca ninguém arrumou um espaço pra mim. Meu grupo teatral ensaia no meio da rua. 48 jovens que eu preparei para levar no Teatro Nacional no lançamento do meu livro. Várias peças, tem muitas peças escritas. Na hora que tiver patrocinador eu vou doar meus livros.

Funcionária da escola:
Para a gente não tem honra maior. Sabendo que cada um aqui pode ajudar um pouquinho, nós aqui da direção, a gente faz o que a gente pode. No Dia das mães, esse ano, a senhora foi lá e declamou uma poesia para as mães. Quando ela pode ela sempre está aqui participando com a gente.

Dona Percília: Se não for o Espírito Santo iluminar, a gente não faz nada, né? Eu escrevo porque vem inspiração de Deus. Só Deus pode me parar. Quero escrever muito ainda. Deixar minhas histórias todas para as pessoas, para os jovens, para as crianças.”

Outubro de 2001