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Elis Regina por Rosane Maia. História de Vida

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Quando a gente estreou ano passado, nas rádios que a gente ia dar entrevista, todo mundo perguntava se era um show cover. E o nome do show é “Nada Será Como Elis” porque realmente nada será como Elis e nada será como ninguém porque cada um é cada um e a gente está dando a nossa leitura para o material magnífico que a Elis Regina deixou.

Para mim o forte da Elis é que ela sempre foi uma artista que viveu a frente do seu tempo. Ela mantinha uma busca constante por qualidade, aperfeiçoamento e inovação. Ela não tinha medo de arriscar, ela ousava muito. Ela tornou-se uma grande lançadora de compositores, autores, tendências, novas formas de cantar, novos gestos. Realmente é uma revolucionária.

A Elis tinha uma coisa muito interessante. Ela não tinha uma referência anterior. Quando ela gravava uma música era uma música novinha em folha que ninguém tinha gravado. Porque a gente grava uma música hoje em dia e a gente já tem uma referência forte. Ela criava mesmo. Por isso ela tem uma interpretação diferente de todo mundo.

Há um tempo atrás eu estava lendo um livro do Eric Hobsbawn, Era de Extremos. E ele falava de uma coisa muito interessante que é um dos fenômenos mais lúgubres que a gente vive nesse tempo que é de vivermos uma espécie de presente contínuo. Ou seja, a gente vive num mundo em que simplesmente o passado é desprezado, é ignorado. Entretanto a gente sabe o quanto é importante a valorização da história para o fortalecimento de uma sociedade, da sua cultura. Então o show nasceu sobre essa base da memória. Não apenas de uma cantora, mas de um conjunto de valores, de conceitos, preconceitos, ideias, ideais e formas e gestos que marcaram uma época da história da música popular brasileira que Elis Regina personificou. Ela sintetizou como ninguém.

Quando você imagina Elis Regina você imagina muita harmonia, muitos metais, um som com muito arranjo. E nós somos 3 instrumentos apenas. A gente tentou transportar tudo isso para o trio.”

Março de 2000