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Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger e o trabalho acústico

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Sempre me perguntam qual o segredo da longevidade e eu sinceramente não sei. Eu vivo um dia de cada vez, tento ser o mais honesto possível com a minha música. Talvez isso se reflita na honestidade e na fidelidade que os fãs têm com a gente. Mas eu sinceramente não sei qual é o caminho das pedras. Eu acho que cada banda tem que inventar o seu caminho e não há atalhos nessa estrada de ser músico.

Nunca foi uma banda com grandes saltos de vendagem, estouro. É sempre uma coisa meio contínua, tranquila.
Desde bem cedo, desde o início da banda eu sabia o que eu queria e o que eu podia fazer com música. Só tratei de me aperfeiçoar nisso.

As letras e as músicas pintam da maneira mais aleatória imaginável. Eu nunca paro racionalmente para pensar sobre um assunto. Nunca corro atrás racionalmente. Eu acho que na verdade elas vão se compondo lá no fundo do teu cérebro sem tu saber. Aí chega uma hora que elas vêm à luz falando de coisas que eu nem imaginava que eu pudesse ou quisesse falar naquele momento. É bem misterioso o processo e depois de tanto tempo na estrada eu aprendi a relaxar e até curtir que seja misterioso. Eu acho que é mais saboroso que se fosse uma coisa racional e pensada.

Há algum tempo vinha rolando o convite para fazer o acústico. Em 93 a gente lançou um disco chamado “Filmes de Guerra, Canções de Amor” que meio que cumpria essa necessidade do acústico, na minha cabeça. Mas ano passado, eu comecei a achar que eu podia dar algumas leituras interessantes para algumas canções e isso motivou a gravar o projeto. Depois que eu gravei, eu fiquei apaixonado por essa possibilidade que ele oferece de, mais do que reler músicas antigas, recompor. Eu fui lá na infância daquelas músicas e me remeti ao momento em que eu estava compondo e comecei quase do zero a fazer essas canções.

As músicas nunca estão prontas. Isso eu aprendi na estrada. É uma ilusão achar que uma música está pronta, que um arranjo está pronto. Elas estão sempre evoluindo, elas são de carne e osso. É ilusão achar que o autor sabe muito bem o que quer falar com a sua obra. Muitas vezes eu me surpreendo com as minhas músicas, e ver elas com essa dimensão que o tempo dá é fantástico. É como se eu reencontrasse velhos amigos da estrada.

Preciso de música para me balancear como pessoa, como ser humano. Eu preciso tocar, eu sou uma pessoa melhor tocando. E Deus me deu a graça de ter alguns malucos que gostam de me ouvir tocar. Juntou o útil ao agradável. Eu preciso de música para viver e tem gente que quer me ouvir. Então é a receita perfeita para seguir na estrada durante 20 anos. Espero seguir mais 220.”

Março de 2005