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Festival Forró Manêro com Biliu de Campina Grande

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Aquela ciência né, é a forrobodologia. E pra ser um bom forrozeiro, tem que ter ritmo, definição, repertório, tendência, vocação e principalmente identidade. Tem muita gente aí descaracterizando em nome da modernidade. E forró vem do século passado. Ele atingiu a forma clássica no período Jackson e Gonzagão. Aí, tornou-se imexível. O forró é criado dentro do palco, é espontâneo. Todo estado, todo país, toda região, toda nação tem sua cultura. E a cultura é aquela que a gente desenvolve na espontaneidade. Não tem aquela mídia de qualidade, aquela mídia paga, aqueles negócios de jabá não. Forró é isso. É o que eu faço, sempre fiz. Não é porque eu seja contra os outros, eu sou a favor do que eu faço.

Eu canto forró pé de serra e também no topo de serra. Essa questão geográfica às vezes é até pejorativa. O cara diz “Biliu, você é artista da terra?”. Eu digo “você conhece alguém de Plutão, de Netuno, da Lua, cantando forró? Algum ET tocando forró?”. Tudo é forró. Aquele preconceito ainda existe. Aliás tem uma turma nova, o sangue novo, os fãs do Jota Quest, do Rappa, de Sepultura, Ratos de Esgoto, Titãs, esse povo adora forró, principalmente o côco. Porque enquanto o samba é o pai do ritmo, o côco é o avô dessa história. O côco são as 3 raças: o tupinambá, a inteligência do branco fazendo as letras e aquela coreografia, o batuque do negro. O travalíngua.

O jovem está num computador, então é um exercício para a memória. Quem cantava era Jararaca, Ratinho, Venâncio, Manezinho Araújo, o próprio Jackson do Pandeiro foi excepcional, o Gonzagão. A história do forró é essa.

Esse negócio de música regional não existe. Música é universal. O que Wagner fez na Alemanha, o que Villa Lobos fez aqui, o forró já é isso. Atingiu a forma clássica. A forrolândia, a terra do forró é mistura de Paraíba com Pernambuco. Lá já surgiu o forró no pé. Tem essa tranquilidade. Agora, eu quero que esse pessoal que faz rock, que adora os Biliu da vida.

Eu não gosto de viajar de avião. Eu sou da época do pau de arara.

Eu canto música do Ary Lobo, Jackson, Gonzagão. Aqueles que a mídia não toca, eu toco, eu canto.”

Maio de 2000