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Festival Forró Manêro com Elba Ramalho

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Memórias do Brasil

Descrição:

Tina Vieira: A grande estrela da 4ª noite do Forró Manêro foi Elba Ramalho que veio pra finalizar essa grande festa de Campina Grande aqui em Brasília. Elba, qual você acha a importância de trazer um evento como esse aqui pra capital do país?

Elba Ramalho, cantora e compositora: Pra que seja difundida uma tradição que se matém viva com beleza, com força na Paraíba, especialmente na cidade de Campina Grande. Para que o povo de Brasília e de todo o Distrito Federal possa vivenciar, possa experimentar esse costume, essa expressão cultural tão maravilhosa que se realiza no nordeste todos os anos… e se sinta motivado, incentivado e animado para sair daqui e ir correndo passar o São João na Paraíba. Campina é uma cidade que recebe maravilhosamente bem, tem um clima agradável. Tudo em Campina é bonito e é gostoso. As pessoas não vão se arrepender.

Isso é uma pequena amostra do que acontece lá porque, na verdade, a grande tradição de lá são as festas de rua. É como um carnaval, só que diferente. Eu ainda prefiro o São João pelo ritmo, pelas comidas, tudo é preparado em favor que as pessoas cheguem e se divirtam durante 30 dias. Então vai pra Campina Grande. Eu vou estar lá com vocês dia 23 de junho fazendo um grande show no forródromo.

Tina: A gente conversou com Geraldo Azevedo e foi bonito porque teve um encontro de gerações do forró no palco. Ele tocando com a banda do filho dele, o Forró Pra Todos. Essa coisa do forró está chegando na juventude Brasileira. Como é que você vê isso?

Elba: Eu vejo amadrinhando. Sou madrinha deles, já cantei com eles. Forró Sacana amadrinhei também no Rio. Várias outras bandas que estão começando eu apoio e incentivo, principalmente porque eles são seletivos na sua seleção e no seu estilo de fazer forró. Eles estão primando pelo forró tradicional, original, que é o forró do Gonzaga, o forró do Jackson do Pandeiro, da Marinês, do Dominguinhos.

Eu acho maravilhoso que o forró por si tenha proclamado a sua libertação do preconceito. Porque não é que a mídia resolveu investir e vender disco de forró. O povo descobriu indo pro nordeste, que é bom, que é gostoso e passou a dançar forró. Isso é maravilhoso pro país porque desmistifica uma série de coisas e abre uma série de espaços também pra música nordestina.

Tina: O forró veio para ficar, então?

Elba: O forró estará sempre. Embora ele ainda não toque tanto no rádio como ele merece tocar. Mas ele é uma música que não é de época. Ele faz parte da nossa tradição. Eu nasci dançando forró. Vou morrer e consequentemente meu filho e meus netos estarão seguindo essa tradição porque faz parte da nossa história cultural. Está na nossa essência. Está sublimado no nosso sangue.”

Maio de 2000