Frejat, carreira solo e sua trajetória com o Barão Vermelho

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Memórias do Brasil

Descrição:

“O artista tem a necessidade de estar sempre se desafiando. Eu pediria às pessoas que tivessem a curiosidade de conhecer mais o disco porque eu acho que ele tem várias coisas diferentes. Tem várias possibilidades e é um disco pra mim muito importante eu levei muito tempo fazendo, preparando o material pra ele. Cada disco é um desafio novo. Eu sou uma pessoa que eu tenho 20 anos de carreira, quer dizer eu não estou começando eu to recomeçando.

Quando você tem um grupo você respeita o processo coletivo de trabalho dele, então, por exemplo, eu não posso chegar pro grupo e dizer assim: eu tenho uma música, mas eu já tenho toda a ideia dela na cabeça, você faz isso, você faz aquilo, isso na minha carreira solo eu posso fazer. Num grupo não existe isso, ninguém manda em ninguém existe um respeito pela particularidade a sonoridade do grupo é um dos elementos mais importantes no processo de criação.

A outra coisa é que pelo fato de estar solo me dá uma liberdade muito maior de trabalhar e escolher os parceiros e o meu trabalho solo me facilita essa coisa de trazer essas outras pessoas de fora do meu grupo como no meu disco tem Arnaldo Antunes tem a Marisa Monte tem o Lenine tem o Alvim L. tem o Bruno Levinson, tem o Humberto F. que era dos Picassos Falsos várias pessoas que eu não vinha trabalhando e que seria bom de encaixa-los dentro do trabalho do grupo.

Eu costumo dizer que a gente aprende mais com os fracassos do que com os acertos. Os acertos a gente se diverte, desfruta, mas nos fracassos é quando a gente aprende mais.

Na minha trajetória pelo fato de eu ter começado pelo Barão, que é uma banda inspirada com o Cazuza, uma coincidência de vida muito grande, muito boa a gente se encontrar. A gente não se conhecia. Foi o privilegio. Com a saída dele e eu acabar cantando foi uma coisa que eu nunca pensei em fazer. Isso na verdade na vida, hoje, é uma das coisas que me dá mais prazer talvez seja um dos motivos que eu me sinta mais seguro no meu trabalho essa coisa de saber que quando eu escolho uma música pra cantar que eu goste de cantar eu vou tirar uma interpretação legal disso.

Todos os momentos eles tinham que acontecer assim mesmo nessa ordem, se tivesse começado ao contrario ou tivesse acontecido alguma coisa no meio acho que não tinha sido tão legal como esta sendo agora.

Vamos acalmar os fãs do Barão Vermelho então: o Barão Vermelho não acaba? Vocês voltam a gravar no ano que vem? É uma experiência sua e o Barão continua?

O que as pessoas precisam entender é que você não precisa acabar uma coisa pra começar outra. Na verdade o Barão não tem uma previsão exata de retorno.

O que acontece é que eu acho que esse é um momento importante pra gente parar e criar coisas separadamente pra depois voltar com o grupo e fazer coisas com o grupo, fazer grandes turnês e grandes discos e aí a gente vai começar a conversar isso a partir de março do ano que vem. Quando a gente começa a conversar, quando a gente começa a gravar e volta a tocar aí eu já não tenho certeza, não posso te dar uma data precisa, mas que vai voltar a acontecer com certeza vai.

Barão continua! Que bom!”

Novembro de 2001