Friends, uma das melhores bandas cover dos Beatles

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Memórias do Brasil

Descrição:

“O grupo Friends começou por volta de 1968, quando os Beatles ainda estavam nas hit parades, e a gente curtia Beatles juntos, tocava violão… Enfim, era o que tava na mídia. Nós começamos a juntar os amigos em torno disso, essa coisa foi tomando corpo e a gente foi vendo que alguns do grupo tinham talento e a gente acabou enveredando pelos caminhos do profissionalismo. De lá pra cá, acho que foram 30 anos cantando Beatles.

“A gente tocava naquela época em que era difícil ter os instrumentos importados. Todas as dificuldades que enfrentamos naquela época com o tempo foram sendo superadas porque a música dos Beatles é universal, é uma linguagem que é bem compreendida. Então, pra nós, ir superando isso gradativamente foi uma conquista muito grande que culminou com essa apresentação no Cavern Club, nos 40 anos deste grande templo Beatle. Foi a coroação do sonho que a gente cultivava desde a infância.

“Como foi estar lá? Qual foi a sensação de estar naquele palco, que é o templo sagrado?”

“Nós saímos daqui preparados para fazer esse trabalho muito bem feito lá fora, e nós fomos meio que anestesiados já. Chegamos lá, começamos a sentir a coisa de perto e falamos: ‘bom, acho que agora estamos em casa!’

“Eram 170 bandas do mundo inteiro no primeiro festival, então a gente não tinha referência de como ia ser o trabalho, como é cantar Beatles na Inglaterra, era muito sério isso. Mas chegamos lá e conseguimos fazer nossa parte e demos nosso recado.

“A gente sente que o coração das pessoas ainda balança quando você canta as músicas.”

“Quando a gente canta Penny Lane, todo mundo acompanha!”

“Penny Lane é um hino, parece um pedaço de Liverpool. A gente canta algumas canções que falam da época e da cidade, como Penny Lane, que é um bairro que hoje em dia está muito maltratado pelo tempo, mas a gente procura estar sempre transmitindo aquilo que o lugar nos cativou no coração. Então Penny Lane pra nós foi uma experiência gostosa, é uma música que a gente apresenta muito no show.”

“Vocês são músicos por hobby. Como conciliam família, trabalho e o trabalho do Friends?”

“No começo foi meio complicado. Estávamos ensaiando muito, saímos do trabalho e passávamos em casa rapidinho e íamos pro estúdio à noite. Nossas mulheres diziam ‘pô, todo dia isso?’ e respondíamos ‘não, é só até a banda pegar um punch legal.” Os filhos também cobravam, mas depois começaram a vir aos shows, começou a vir a fama e elas começaram a participar também dos shows e a gostar. Passou a ser mais um programa de fim de semana pra garotada toda. Hoje em dia já participam pra caramba, dão o maior apoio, já tem até banda!

“Hoje em dia, inclusive até quando não tem show, nossas esposas se encontram e põe o assunto em dia. Hoje a família participa, faz parte e elas se acham as ‘friendetes’.”

“É o amor aos Beatles que faz vocês estarem juntos há tanto tempo?”

“Com certeza. É uma coisa que até comento com os amigos também da mesma geração: hoje a beatlemania é um estado de espírito. Você vê a beatlemania no mundo inteiro se juntando, tocando, você liga uma rádio e tá tocando Paul McCartney, John Lennon, Beatles. A coisa não para, tá sempre na mídia, e eu reparo em vários shows nossos pelo Brasil a juventude cantando. Garotão de 15, 16, 18 anos cantando todas as letras com a gente, acompanhando na frente do palco, na fila do gargarejo todo mundo cantando ali com a gente e ficamos surpresos com isso. Quer dizer, ficávamos.”

“E a gente sempre sonhou que os Beatles viessem para o Brasil e nunca vieram. Então a gente tá fazendo aquele papel como se fosse voltando ao passado e a gente vê o pessoal curtindo e gostando.”

“Como a gente sabe que os Beatles não vão voltar mesmo, a gente sabe que as canções que eles fizeram e as coisas que eles cantaram e toda a beleza que eles transmitiram pro mundo até os dias atuais é uma coisa que vai ser pra sempre. Isso não vai acabar.

“Essa é a filosofia do Friends: perpetuar a beatlemania aonde quer que a gente vá.”

Março de 2000