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Garoto Bombril, ator Carlos Moreno no palco em Arte Oculta

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Esse espetáculo eu faço há um bom tempo com a Cristina. Ela divide o palco comigo. Ela é autora do texto. A direção é do Elias Andreato. A primeira vez que a gente montou esse espetáculo foi para a XX Bienal de São Paulo, em 92, se não me engano. E era um trabalho específico para a bienal, fez parte da programação oficial, uma curadoria de eventos paralelos e foi muito divertido fazer.

O personagem que eu faço é meio sério, como se fosse um estudioso. E a assistente dele é meio biscate, então ela fica mexendo com o público. Tem esse lado meio chanchada que eu acho que é uma coisa saudável de comédia brasileira.

Não é uma peça que tenha começo, meio e fim, uma historinha. É como se fosse uma conferência. A brincadeira é essa. Primeiro é uma comédia, a vontade é de fazer as pessoas rirem e a gente também se divertir. Acaba sendo uma crítica a situação das artes, não só artes plásticas, artes em geral na atualidade. Fala um pouco do discurso dos críticos que às vezes fica tão hermético que complica o entendimento em vez de ajudar o entendimento.

O público se identifica por esse lado. Se percebe de cara que os dois são muito picaretas e que tudo aquilo que eles estão falando é mentira, então as pessoas se divertem por isso.

Eu acho que a gente vive, independentemente de ser artes plásticas ou qualquer coisa. Vendo pela televisão, principalmente os políticos. É uma situação que as pessoas falam as mentiras com tamanha categoria, com tamanha convicção que um mais desavisado acaba acreditando. A gente já teve presidentes eleitos assim. A pessoa fala tanto uma mentira que aquilo acaba virando uma verdade para ela.

As pessoas que conhecem um pouco mais, que sabem desses artistas, elas se divertem por um lado. Mas tem um outro lado que qualquer público se identifica.

Eu gosto de trabalhar como ator, seja onde for. Claro que, em teatro, eu tenho mais experiência. Eu nasci no teatro. Muito antes de ser conhecido como garoto propaganda, eu já fazia teatro. Eu acho que eu prefiro fazer sempre um trabalho como ator que me enriqueça, que eu possa aprender.”

Março de 2000