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Guilherme Arantes e o grande sucesso após regravações de Elis Regina

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Memórias do Brasil

Descrição:

“No começo, foi a fase das trilhas de novelas. Eu tive “Amanhã”, “Meu mundo e nada mais”, que fecha com o ano de 80, quando a Elis Gravou a minha música “Aprendendo a jogar” e “Só Deus é quem sabe”. Com essa coisa da Elis me gravar, o grande mercado focou em mim. Eu era um cantor popular, de auditório. Então eu não tinha esse foco da MPB. Mas as pessoas começaram a me procurar. Eu tive uma sequência de músicas gravadas por Bethânia, Caetano e MPB4. Isso foi fruto da Elis. Imediatamente depois do sucesso com a Elis, veio “Deixa chover” e “Planeta água”, que foi culminância num festival.

Depois começa a fase do pop brasileiro, que foi a partir do Plano Cruzado, que estouraram bandas como Kid Abelha e tantos outros. Foi uma bolha de classe média, que aconteceu com o Rock in Rio. Eu não participei desse grupo do “rock brasil”, principalmente o rock carioca, que reinava na época. Então eu enveredei para voltar para o auditório, que era o meu habitat normal. Chacrinha, programas de auditório e muitas músicas de amor.

E depois, nos 90, a gente começou a entrar em um declínio de popularidade com a chegada de nichos como sertanejo e axé, já com o marketing bem mais direcionado. Os anos 90 foram anos de predominância desses gêneros populares.

Eu, quando era criança, queria ser compositor. Eu só vim a cantar porque ninguém queria minhas músicas. Então eu mesmo fui à luta.

Eu não sou muito bom fantasista. Eu sou mais pobre. Poeticamente eu não tenho esse poder da abstração. Eu faço mais o que eu estou vivendo.

Eu acho que a gente tem que caminhar para as inéditas. “O mercado só quer saber de regravações”. Então o mercado está equivocado. Eu não posso fazer nada. Esse negócio de ficar regravando cover do cover é muito chato.

Eu não toco por serventia. Não é pela fama, pela glória. É porque você nasceu para fazer aquilo e faz aquilo com humildade. Não é só a questão de fazer a vida, ganhar dinheiro e fazer sucesso. Isso é secundário. O gostoso é fazer aquilo que a gente gosta.”

Junho de 2005