Hamilton de Holanda, o grupo Dois de Ouro e a história do choro

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Memórias do Brasil

Descrição:

“É um ritmo totalmente brasileiro, a gente não encontra em outro lugar. Está nas nossas raízes. São perfeitos, no meu entendimento.

O que você acha mais especial no show?
Eu acho que o ritmo quente. Tem muito a ver com a nossa gente, com a nossa origem.

O público brasileiro gosta de ouvir música brasileira, então quando a gente toca a coisa do choro, que é uma música que foi criada no Brasil e que é divulgada pelo mundo inteiro como uma música genuinamente brasileira, as pessoas que ouvem ficam realmente emocionadas. Engraçado que o choro é uma combinação de Europa com África. O Brasil é isso, ainda tem os índios, né. O choro começou no Rio de Janeiro com a mistura de ritmos europeus tipo polca e valsa e alguns ritmos africanos. Aí foi surgindo a polca choro, o maxixe que é um ritmo que mais tarde deu origem ao baião, e aí acabou virando choro. Porque antigamente não se chamava choro como um gênero musical. Era como a gente fala que vai para um pagode em Planaltina, a gente fala que vai em um choro no Guará. Antigamente se falava assim. Hoje em dia já virou um gênero e a figura máxima que a gente diz que firmou o choro como gênero foi o Pixinguinha.

É bem brasileira, é bem da região. Eu acho bem bonito, eu sempre vou nos shows.

Talvez seja o gênero mãe de todos os gêneros que vieram depois a surgir no Brasil. Por exemplo, o frevo, em Pernambuco, é um choro de Pernambuco. O baião também é um tipo de choro da Paraíba. O frevo da Bahia, é um choro da Bahia, do Nordeste. Então acaba que o choro deu origem a isso tudo. Então quando as pessoas ouvem a música brasileira, o choro, tocado assim em teatro, em bar, em qualquer lugar, as pessoas se identificam e saem emocionadas.

Magnífico, maravilhoso. Eu já esperava porque eu já conhecia. Mas é sempre uma surpresa muito agradável. Para mim o melhor gênero musical é o choro. Eu acho que é a melhor expressão do Brasil.

O choro é um nome engraçado. Tem duas vertentes. Uma, pelo fato de a gente tocar o choro de uma forma melosa, a melodia como se fosse um cantor chorando, então deu esse nome de choro. E tem um outro nome, o “cholo”, que é um nome africano, que acabou virando choro, como o “bichiguinha” acabou virando Pixinguinha.

A história do Grupo Dois de Ouro

A primeira apresentação foi com a escaleta e o cavaquinho. O Hamiltom de escaleta, eu de cavaquinho e meu pai de violão. O Hamilton tinha 5 anos, eu tinha 10 anos, lá no Clube do Choro, sentados informalmente na mesa começamos a tocar e o pessoal ficou meio surpreso né, dois menininhos tocando. E tinha presente o Pernambuco Pandeiro, percussionista das antigas, e ele disse “esses meninos são dois de ouro”. Hoje somos 7. Sete de ouro.

A galera toca sentindo a música, eles tocam com emoção mesmo.

Eu achei tudo lindo, para mim foi bem novo, foi o primeiro show de choro que eu fui e gostei muito.”

Dezembro de 1999