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História e cultura africana no CESAS, escola pública de Brasília

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Memórias do Brasil

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História e cultura africana no CESAS, escola pública de Brasília

Eduardo Chauvet: Nós estamos aqui com a professora Denise no CESAS 602 sul, uma escola bem tradicional aqui de Brasília. Ela desenvolve um projeto que é “Escrever com prazer e sem medo. Um caminho em busca da cidadania” inclusive por causa de uma lei que foi instituída no país. A gente parte daí. Ensino obrigatório de práticas anti-racistas?

Denise: A lei tem o intuito de promover a igualdade racial em nosso país. A partir de músicas e textos, eu busco construir um personagem que surge na África há 500 anos e vem nesse caminhar. Divido o projeto em 10 momentos. Nós vamos trabalhando a formação da população negra em nosso país. É muito importante que o aluno tenha essa consciência de que o indivíduo quando foi escravizado, se encontrava numa situação familiar, tinha os seus costumes, essa historinha. Sempre trazendo para o aluno a questão da resistência, a questão da liberdade, a questão da discriminação a que esses indivíduos sempre foram submetidos.

Ao final do percurso o aluno tem a consciência em relação à população negra, à sua construção. Ele conhece as religiões de matrizes africanas conhece poetas negros brasileiros, poetas negros africanos. Ele entra em contato com um universo que dificilmente tem contato nos livros didáticos que são utilizados em nosso país.

Eduardo: Você é professora de português, então você se utiliza da produção de textos mesclando com música para se tornar algo mais agradável?

Denise: Exatamente, a ideia foi essa. Tornar o ensino mais eficiente, mais tranquilo, preparando para perder um pouco desse medo de escrever e produzir texto.

Eduardo: A gente precisa hoje, mais do que nunca, através da educação, que é o caminho, conscientizar o cidadão da igualdade de todos nós, né?

Denise: Exato. E os nossos alunos são pais de família, mães de família que passam também a construir esse universo em casa junto com seus filhos. O meu objetivo é uma sociedade igualitária onde diversas etnias possam viver em harmonia. Onde o negro possa estar cada vez mais representado nos meios de comunicação, na mídia. O mito do cabelo liso e tantos outros de embranquecimento estejam de fato extintos em nossa sociedade. Essa é minha ideia.

Abril de 2011