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Identidade, patrimônio e meio ambiente pelo projeto ‘Revivendo Êxodos’ no Setor Leste em Brasília

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: Nós estamos no Setor Leste, 612 sul, uma das escolas mais tradicionais de Brasília, já com muitos anos de história pra contar. Aqui com a gente o professor Luiz Guilherme do projeto Revivendo Êxodos. O que significa esse projeto para a educação dos nossos alunos?

Luiz Guilherme: Nós já temos algumas escolas participantes do projeto, como a Escola 104 Norte, a Escola Nova Betânia, em São Sebastião, porque o projeto não tem uma fronteira. Na verdade, ele quer é quebrar fronteiras, quer quebrar paradigmas. Nossos temas de pesquisa são identidade, patrimônio e meio ambiente, e cabe um mundo de pesquisa aí. Então o aluno é levado a ter outro olhar sobre a sua experiência de vida, sobre seu próprio corpo, sobre o seu “eu”, onde ele mora, qual é a cor do meu bairro, o que significa minha família, o que significa eu estar numa escola.

Entra a questão da cidadania, entra a questão da participação política, entra a questão de uma autoestima importante. Pesquisa não só bibliográfica, uma pesquisa de campo. A partir do momento que chego em outro lugar eu tenho um olhar diferenciado sobre o meu próprio local.

Rodrigo Soares: Descobri o antropólogo dentro de mim. Tem gente que conhece as regiões em volta e vê a influência que Brasília tem sobre essas regiões e a influência que essas regiões tem sobre Brasília.

Luiz Guilherme: O projeto tem uma série de ações que culminam com uma exposição fotográfica, uma grande mostra de resultados em novembro e uma caminhada, um mergulho muito profundo nesse universo que nos cerca, esse grande sertão. É um mergulho nas nossas origens, nas nossas raízes, na nossa cultura mais tradicional, nas nossas manifestações artísticas mais verdadeiras.

Rafael Gomes: Um projeto de vida porque realmente conseguiu mudar vidas de alguns alunos assim como continua mudando a minha, o modo de pensar, o modo de ver o mundo.

Luiz Guilherme: Fizemos uma parceria com o roteiro ‘Missão Cruls’, que esteve aqui mapeando esta área onde hoje é o DF. O aluno caminha pela manhã e tem aula à tarde: aula de matemática, aula debaixo de um jacarandá. Ele tem aula de geografia dentro de um rio, olhando o horizonte, olhando o vão dos buracos da região lá da Chapada.

Eu dou aula há 25 anos, eu não desisto. Eu acho que é muito importante essa relação humana da profissão, do aluno com o professor, da confiança que o aluno deposita e da coragem que o professor tem de pegar esse jovem e dar o melhor dele.

Laila Rodrigues: É uma experiência muito gratificante e de um aprendizado enorme. Através do projeto eu descobri que queria realmente estudar Ciências Sociais, fui fazer Ciência Política.

Luiz Guilherme: Eu não quero que esses alunos sejam livres da boca pra fora. Eu quero que eles sejam verdadeiros, que eles sejam corajosos, que a vida é cheia de problemas, cheia de dificuldades. Eles tem que sair daqui com coragem pra enfrentar isso aqui, enfrentar essa vida linda, louca, difícil que eles tem pela frente.

Guimarães Rosa fala isso: “o que a vida quer da gente, é coragem.”

Abril de 2011