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Legião Urbana Especial parte 1

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Memórias do Brasil

Descrição:

Eduardo Chauvet: “Renato Manfredini Junior ou simplesmente Renato Russo nasceu no dia 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro. Criado numa família de classe média alta, aos sete anos mudou-se para os Estados Unidos. Voltou depois de três anos, passou um tempo no Rio e Curitiba, até se instalar finalmente em Brasília aos onze anos de idade. Ainda na década de 70, o amigo escocês Ian apresentou a Renato Russo a canção ‘Anarchy in the U.K.’, dos ‘Sex Pistols’. Renato Russo ficou entusiasmado.”

Renato Russo: “Quando pintou os Sex Pistols, eles estavam falando de coisas que tinham a ver com a gente, com quem tem 16, 17 anos. ‘Pô, briguei com a minha namorada’, ‘pô, briguei em casa’, ‘pô, não quero ir pra escola’, ‘não tenho dinheiro pra fazer nada’, e os Pistols falavam ‘olha, se vocês gostam da gente, em vez de ficar comprando disco vão e façam uma banda também!’ e, como a gente era super fã, então fomos e fizemos uma banda. E a partir de dois acordes começou a aparecer tudo. O bom rock’n roll você não precisa saber música. Rock’n roll é uma atitude.”

Phillippe Seabra, Plebe Rude: “Você não era mais limitado ao ‘poxa, eu não sei tocar, mas eu quero fazer alguma coisa’. ‘ué, então faça!’ ‘Mas ah, vou ter que ir pro conservatório estudar, não sei o que’. Isso é muito legal e o Legião tinha isso do punk, do ‘faça você mesmo’. Eu acho que o Legião é talvez um dos melhores exemplos do rock de Brasília disso, de você conseguir não deixar suas limitações te pararem.”

Eduardo Chauvet: “Em 1978, Renato Russo forma sua primeira banda: o ‘Aborto Elétrico’. O grupo logo começou a realizar apresentações. O Food’s, antiga lanchonete que ficava na 110/111 Sul, era um dos points do Aborto e de outras bandas que começavam a surgir.”

Herbert Vianna, Paralamas do Sucesso: “Tinha muita gente que tocava, tinha um cara chamado Sammy Mcdowell excelente guitarrista, e o melhor vocalista que já vi tocar no Brasil que se chama Eduardo Watson, que ainda mora aqui, era um dos maiores músicos que eu já vi. Aquilo tudo incentivava muito a gente. A gente era molequinho, ficava ouvindo os caras tocando e aí a gente começou a tocar também.”

Fé Lemos, Capital Inicial: “Eu conheci o Renato em 78. Fui numa festa convidado por um amigo, nem sabia de quem era a festa. Eu cheguei na festa, fui dar uma olhada nos discos e tinha muito disco de punk. Eu tinha acabado de voltar da Inglaterra, em 78 eu fiz 16 anos, e aí eu falei ‘pô, quem é o dono desses discos?’ e era o Renato. Quando a gente se conheceu, a gente falou ‘vamos fazer uma banda!’ porque ele já queria fazer uma banda há algum tempo, só que ele não encontrava pessoas pra fazer essa banda. Aí ele encontra um bateirista e ele tocava baixo e a gente descobre que tinha um amigo em comum, o André Pretorius, e nós três falamos ‘vamos fazer uma banda’, e era uma banda de punk, lógico. Formou-se o Aborto Elétrico e fizemos o nosso primeiro show em 80.”

Eduardo Chauvet: “Eles tocavam em festas, nas quadras, em bares, na UnB, nos colégios.”

Irlam Rocha Lima, Correio Braziliense: “Eu morava numa quadra da Asa Norte onde tinha um bar lá na 407 Norte chamado ‘Cafofo’. Hoje parece que se chama ‘DCE Bar’ e nesse bar, no porão, ensaiava o Aborto Elétrico. Eu via lá as inscrições na parede, ‘Aborto Elétrico’, e eu falei ‘o que é isso aí?’, ‘é uma banda punk que ensaia aqui no porão’. E aí fui algumas vezes ver o ensaio, mas na época eles tocavam muito mal, mas já dava pra ver que a mensagem das letras do Renato já eram tudo aquilo que a gente ia ver depois.”

E. Chauvet: “A primeira apresentação da sua até então desconhecida banda ‘Legião Urbana’ aconteceu em setembro de 82. O Aborto Elétrico acabou um ano depois, em 83. No verão de 1984, o Legião Urbana, Plebe Rude e Paralamas do Sucesso participaram do primeiro Fest Rock no Circo Voador. Rapidamente a fama da Legião no circuito alternativo começa a crescer, despertando a atenção da EMI. O primeiro vinil da banda foi lançado no mesmo ano e superou as expectativas vendendo, de início, cinquenta mil cópias.”

Renato Russo: “Olha, eu diria assim que era mais vontade de fazer música, de agitar, entende?”

Loro Jones, ex-Capital Inicial: “Na verdade a gente tava era de saco cheio mesmo. O grande barato era que a gente não queria ir nem pra escola.”

Phillippe Seabra: “Ninguém pensa, ninguém imaginaria que essas bandas chegariam ao ponto que chegaram. Ninguém começou com esse intuito.”

Renato Russo: “Eu diria que basicamente o que a gente queria era gravar um disco. Tanto é que, pela própria essência do que a gente tava fazendo, envolvia justamente um aspecto alternativo. Então pela própria música que você sabe que a gente tava fazendo naquela época você vê que o nosso objetivo não era vender zilhões de discos, e sim ser uma coisa alternativa.”

E. Chauvet: “A partir daí vieram mais seis álbuns de músicas inéditas e três coletâneas póstumas. Juntos, os CDs da Legião Urbana venderam quase dez milhões de cópias.”

Maio de 2005