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Legião Urbana Especial parte 4

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Memórias do Brasil

Descrição:

Eduardo Chauvet: “Em 1990, Renato Russo assume publicamente ser homossexual. Ele acreditava que não podia mais esconder isso dos fãs. Nessa época ele andava deprimido, tenso, irritado e bebia muito. Tinha certeza de que estava com AIDS e lhe faltava coragem para fazer o exame. Talvez por isso, quando recebeu o resultado que comprovava suas desconfianças, tenha tido uma reação, se não conformada, fatalista. Pouquíssimas pessoas ficaram sabendo da notícia: somente o seu pai, o guitarrista Dado Villa Lobos, o baterista Marcelo Bonfá e Denise Bandeira, atriz e grande amiga de Renato Russo.

No dia 14 de janeiro de 1995, a Legião Urbana se apresentava numa danceteria de Santos quando uma lata de cerveja acertou o vocalista. Renato Russo passou 45 minutos cantando deitado no chão. A plateia só o via quando ele levantava o braço pra ver o relógio de pulso e ver que horas eram. A temperatura esquentou. Quando aquilo acabou, todos estavam certos de que nunca mais haveria um show da Legião Urbana.

“A AIDS avançava e Renato Russo, que lia muito sobre o assunto, sabia exatamente o que estava lhe acontecendo. Embora admirasse muito Cazuza, ele não quis seguir os passos do colega. A ideia era manter tudo em segredo. Ele não saía de casa, recusava-se a comer e se afastou dos amigos, trancou-se no seu apartamento e tinha como companhia apenas o seu pai e o enfermeiro. Não queria mais tomar o doloroso coquetel de drogas que o ajudava no combate à AIDS. Na canção ‘A Via Láctea’ ele deixa explícito o momento de fragilidade e solidão que estava vivendo.”

Renato Manfredini, pai de Renato Russo: “Eu acho que todos os momentos que tivemos com ele foram felizes, menos o momento do desaparecimento dele.”

Eduardo Chauvet: “Quando perguntado sobre qual era sua música que mais gostava, Renato Russo sempre dizia ‘Giz’. Esta música está no sexto disco da banda, ‘O Descobrimento do Brasil’. Ele dizia que a música era perfeita, que não faltava nada a ela.

Com vinte quilos a menos que os habituais sessenta e cinco, Renato Russo morreu à 1h15 da manhã do dia 11 de outubro de 1996. Aquela seria uma inesquecível sexta-feira para seus milhares de fãs espalhados pelo país. Após a sua morte, o corpo foi cremado e quatro dias depois suas cinzas foram jogadas no jardim de um dos maiores paisagistas brasileiros, Burle Marx. Esse jardim fica na Pedra da Guaratiba, zona leste do Rio de Janeiro.”

Renato Manfredini: “A dor que a gente sentiu com a perda dele foi muito grande, de modo que o que ameniza essa dor e vai ficar amenizada para o resto da vida são essas manifestações de caráter permanente que vêm de todo o Brasil.”

Eduardo Chauvet: “‘Renato Russo – Uma Luz Diferente’ é o título provisório do filme que o produtor Luiz Fernando Borges e o diretor Antônio Carlos da Fontoura estão trabalhando: uma cinebiografia. O filme tem previsão de lançamento para o dia 11 de outubro de 2006, ano em que completam 10 anos da morte do cantor.”

Irlam Rocha Lima: “E a gente espera fazer muito, inclusive lutar pra gente construir o Memorial Renato Russo, onde a gente possa ter toda a história desse cara que, sem dúvida nenhuma, marcou a nossa vida e nossa cidade. Ter um memorial do Renato Russo aqui em Brasília é importantíssimo. Vai ser um dos lugares mais visitados da cidade, não tenho nenhuma dúvida.”

Renato Russo: “Não tem por outra: o país é da gente. Não adianta, você pode fazer o que vocês quiserem. O país é das crianças, sempre em frente, não temos tempo a perder. E pode tentar colocar pedra no caminho. Problema seu, entendeu? O tempo é da gente e a gente vai em frente.”

Maio de 2005