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Lenine fala da sua música, paixão e vida do Recife ao Rio de Janeiro

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu posso falar sobre a busca que eu faço e eu não tenho a mínima ideia onde ela vai chegar.

Eu sou do Recife. As pessoas sempre me lembram muito isso, e eu sou lógico com muito orgulho. Eu sou Pernambucano com muito orgulho mas eu costumo dizer que Recife é como se fosse a minha mãe e Rio de Janeiro é a minha mulher. Então eu jamais vou largar a minha mulher pra voltar a morar com a minha mãe. (risos)
Recife foi pra mim um esteio, um ícone, foi quem me deu meu filtro.

Recife é uma cidade de ilhas e pontes, duas coisas completamente antagônicas. Uma que tem a ver com isolamento e a outra, com ligação, com troca. E eu acho que eu sou fruto disso, desses dois grandes ícones.
Eu sou uma pessoa que tem o pé na tradição e o outro pé na contradição e isso tem norteado a minha vida.
Continuo tentando não me distanciar um milímetro sequer do verdadeiro desejo meu que é fazer crônica. Eu faço reportagem. Eu sou meio jornalista e isso pra mim é fundamental porque tem a função social que eu faço. Eu não sou meramente um exibicionista. Eu tenho uma formação tão socialista que não me permitiria isso.

Eu faço música achando que aquilo é o meu depoimento que eu estou dando. É a minha relação com a humanidade e a minha reportagem sobre o que eu vejo. Nesse sentido, Falange Canibal é igual aos outros discos, é um compendio. São várias canções que dão a minha visão da história e nesse sentido, eu continuo sendo um cantautor: um cara que canta o que compõe, mas antes de qualquer coisa, um compositor nesse sentido. Eu continuo dando vazão ao meu trabalho de composição.

Fazer o clipe foi primeiro uma homenagem que a gente quis fazer ao um cinema que ambos eu e o Hugo adoramos que é o novo cinema mexicano. Então o clipe foi todo rodado no interior de Pernambuco a mais ou menos 500 quilômetros do litoral. Enfim, falar clipe pra mim é muito difícil porque eu nunca gosto do clipe. Eu gosto é de fazer música e de cantar.

Não ter ideia de onde se quer chegar é o primeiro passo para você fazer uma coisa mais íntegra, mais honesta e isso norteia meu trabalho até hoje. Eu quando começo a fazer um disco, eu nunca sei onde eu quero chegar. Isso vai acontecendo com a maturidade, com a cristalização no próprio processo de feitura do CD.”

Julho de 2002