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Liga Tripa, música e poesia nas ruas de Brasília em plena ditadura militar

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Memórias do Brasil

Descrição:

Aldo Justo, violão e voz: Nós começamos bem no finalzinho, em 79, inspirados num movimento poético chamado Poesia e Mimeógrafo em que os jovens poetas saíam vendendo seus livrinhos pela cidade. Então que tal fazer isso na música? Nós também não tínhamos muito espaço para apresentar o nosso trabalho. Eu, Ita Catta Preta e a Lúcia saímos pela cidade cantando nos bares, embaixo das janelas à noite, fazendo serenata, nas escolas…

Houve conflitos com o poder. Na época ainda não se tinha a democracia total. Houveram alguns conflitos, fomos julgados, absolvidos. E em cada conflito desse, a gente fortalecia mais porque mais a população ficava ao nosso lado. E o mais interessante foi que a gente só falava de alegria. A gente não falava nada de política. Isso é o que mais incomodava os caras.

Aconteceu de a polícia entrar uma vez no Beirute (bar localizado na 109 sul em Brasília), à paisana, tentando interromper a nossa música. E não conseguiram porque a população toda não parava de cantar com a gente. Tentaram abafar nossos violões, nós também não permitimos. Houve um grande conflito nisso aí. Houve inclusive tiros, eu saí correndo, o cara saiu dando tiro atrás de mim, o policial. A coisa estourou na imprensa como uma bomba e foi um dos momentos de ruptura da cidadania brasiliense.

Toninho Alves, flauta e voz: As músicas do Liga Tripa têm uma poesia muito bem trabalhada. Não digo na maneira estética mas na maneira poética mesmo de ser. Sem muitas regras mas também com muito preciosismo, com versos muito bem transados, que dizem muitas coisas. Não somos um grupo que corre atrás de grana. Nunca tocamos por modismo. Sempre foi batalhar para chegar junto.

Estamos aí, quem quiser contratar, o cachê é muito barato.
Tem que se fazer o que gosta, se não a vida não tem sentido.”

Junho de 2000