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Lobão, um cara independente, física, química e contratualmente

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu to vendendo cem mil cópias cara. Sem tocar no rádio. Assim ó! Eu vou lançar um disco ao vivo, e vou vender mais que Vida Bandida. E eu estava preso, em página criminal. E eu vendi 350 mil cópias e eu vou vender a R$ 11,90 um disco, que vai vender fatalmente muito mais que qualquer outro em banca de jornal. Porque? Porque eu tenho uma credibilidade.

Eu sou independente, eu sou livre. Eu estou numa hierarquia muito superior a qualquer outro dependente da indústria fonográfica. Seja ele Caetano Veloso, seja Roberto Carlos, eles estão infinitamente abaixo disso.

Bandas que estão começando, assinem com as gravadoras. Eu não tenho como. Eu posso pegar um João Gilberto, eu posso pegar um Caetano Veloso e botar na banca sob a minha égide. Que vai ser mais fácil. Assim como eu que tenho nome. Mas pegar um nome inédito é muito difícil. Como é que eu vou poder botar esse nome inédito na rádio que cobra o tempo todo pra executar qualquer coisa. É claro que eu não preciso mais de rádio. Eu não preciso, e nem quero mais rádio.

Gravadora é só feita pra lançar o primeiro e segundo disco, pro cara ficar famoso. Por exemplo, o Falamansa está lançando na banca, maravilhoso! R$ 10,90. Qualquer cara que tiver por cima da carne seca e cortar com a gravadora vai vender 3 vezes mais. E isso é bom pro público e isso é bom pro artista evidentemente e nós estamos com plano assim, de médio a longo prazo, pelo menos em 5 anos a gente vai estar tomando o mercado.

Pra mim, é assim, é um disco em que o autor, no caso eu, escolhi a dedo os maiores fracassos e alguns sucessos evidentemente, mas os mais interessantes são os fracassos. Objetivamente eu vou lançar esse disco dia 15 de Dezembro no Brasil e em Portugal. E não é rock.
Eu não faço rock. Isso é muito importante.
Eu odeio o rock! Eu nunca fiz, eu nunca fiz, eu nunca fiz rock.
É música popular brasileira. É tudo o tempo inteiro. Eu quero me pertencer. Assim, eu sou da linhagem de Tom Jobim, de João Gilberto, de Pixinguinha, Chico Buarque evidentemente.

Eu sou muito mais velho que isso. Eu sou dos anos 70. Eu não tenho nada com os anos 80. Eu tenho vergonha dos anos 80. Muita vergonha. Muita vergonha. Por que? Porque é ruim. A não ser que você chega pra mim e diga alguma música, alguma canção dos anos 80 tem qualidade. Legião Urbana? Tem um bom texto mas pô, pra mim, a música do Legião Urbana ela dissimula o U2. Eu prefiro o U2, eu não gosto do U2. O U2 tem um peso, pelo menos de originalidade que pô, nenhum cópia daqui tem. Police, eu não gosto do The Police, mas várias pessoas copiaram The Police. Eu até dou uma força pro The Police porque eles são originais. Mas e quem copiou o The Police. V… é uma m…!! E o cara que copiou o Duran Duran.. “Eu quero você como eu quero” é Duran Duran! Sabe, então os anos 80, pô eu não quero dizimar os anos 80. Eu sou dos anos 70, eu sou hippie. Mas pô, tinha um texto bom. Bom. Não exuberantemente bom, mas bom… Cazuza, Renato Russo…

Bom, se você quiser que eu seja um pouco delicado eu ouço Bach. Eu não ouço, é mentira, porque eu não ouço. Mas se eu fosse ouvir, assim, pelo menos os CDs que estão próximos, prestes a tocar, são Bach ou é Beethoven. Os últimos quartetos de Beethoven, as cantatas de Bach, as chaconas de Bach. Somente isso, somente isso. Bach ou Beethoven.

Se eu toco guitarra, se eu canto alto, eu tenho 44 anos e faço isso pelo menos há 25. O Brasil tem que engolir porque isso já é tradição. Isso que eu faço já é tradição da Música Popular Brasileira.
E eu que sou um cara independente, física, química e contratualmente.”

Dezembro de 2001