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Luiz Caldas um dos precursores do axé music parte 1

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu nasci em Feira de Santana, em 1963. Estou com 41 anos. Comecei a cantar com 7 anos. Com 8 anos já morava fora de casa, já morava nas sedes dos grupos tocando em baile e aprendendo vários instrumentos. Foi onde eu desenvolvi o lado de tocar piano, bateria, baixo, guitarra e percussão. Para mim foi uma coisa legal. Toquei dos 8 anos até os 16 anos em bailes.

Aos 16 anos eu parti para o trio elétrico, onde eu toquei no trio elétrico Tapajós. Fui apresentado aos estúdios. Gravei o meu primeiro disco com o trio elétrico Tapajós. Foram três discos lá.

Em 80 eu fundei a banda “Acordes Verdes” no qual apareciam outros artistas como Carlinhos Brown. Foi uma coisa interessante porque a gente começou a fazer um trabalho de formiguinha na Bahia e em Salvador. E, de repente, em 84, estava todo mundo cantando uma música superinteressante, que é uma música bobinha, mas que abriu espaço para tanta gente boa hoje em dia como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete com Banana e tantos outros que fazem música popular no Brasil. Foi mais ou menos assim.

Para mim é uma honra muito grande ter sido um dos precursores da música baiana apesar do axé music ter tomado um rumo diferente do que eu imaginaria para ele. Acho que muitos empresários migraram para o movimento e enfraqueceram o movimento porque eles só pensam em grana. E a gente tem que pensar na cultura em primeiro lugar. A gente pensando em arte, a grana é uma consequência de um trabalho bem feito. Eles não pensaram nisso. E isso trouxe uma descredibilidade muito grande para o axé music. Uma coisa que não é verdadeira, tem muita coisa boa no meio do axé.

Uma coisa maravilhosa que aconteceu no axé music é Ivete Sangalo. O Brasil todo adora o trabalho que Ivete faz. Carlinhos Brown, que tem um trabalho maravilhoso. Que leva o trabalho da gente para outros países. Agora mesmo ele está na Espanha fazendo esse tipo de trabalho. Fica até difícil porque são tantos que fazem um trabalho honesto, um trabalho decente. Mas eu acredito que no meio disso apareceram vários aproveitadores e, como eu disse no início, fizeram que a música entrasse num declínio cultural.

Outra coisa também é a coisa de momento, de você fazer e querer o retorno muito rápido. A música hoje, ligada ao carnaval fora de época, tem o mesmo prazo de validade que o abadá. Música com prazo de validade não existe. Se isso existisse a gente não conheceria Tchaikovsky, Beethoven, Ernesto Nazaré, Chiquinha Gonzaga e tantos compositores maravilhosos. O tempo faz com que eles fiquem melhores, mesmo não estando em meio a nós.”

Setembro de 2004