Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

Marcelo Yuka com F.U.R.T.O. Frente Urbana de Trabalhos Organizados parte 1

profile

Memórias do Brasil

Descrição:

“A ideia maior da gente se juntar hoje, esse braço musical, é justamente para levar informação para as pessoas que moram nas periferias através da música. Os dois pontos básicos que a gente trata é a questão do desarmamento e o abuso das autoridades policiais.

Por isso “Frente Urbana de Trabalhos Organizados”. E essa frente é composta por outras pessoas e outros segmentos. Pessoal de design, pessoal de fotografia, cineasta. A ideia maior é levar esse link para o restante do país.

A primeira coisa que a gente resolveu quando a gente se encontrou para trabalhar no CD é que a gente queria desenvolver uma linguagem diferente, que soasse original para a gente e que a gente misturasse algumas influências que eram comuns, com o a influência do dub e um trabalho de percussão extenso.

Essa mistura de ritmos eletrônicos com ritmos regionais virou uma característica de todas as músicas do CD. Não foi uma coisa pensada, foi uma linha que a gente acabou seguindo.

Eu considero esse CD um CD experimental no lado musical. E é um CD muito discursivo no lado das letras. A gente comenta que as letras que fizemos dois anos atrás estão cada vez mais atuais, como se tivessem sido feitas ontem. Porque os problemas são levantados e nada se resolve, só pioram, como o problema da violência.
Continua emergencial para a gente falar do que a gente está falando, continua urgente. E musicalmente a gente está querendo desenvolver cada vez mais essa linguagem de aglomerar influências de música eletrônica com percussão regional. Música brasileira feita hoje em dia.

Eu acho que é um disco que as letras sugerem saídas. Você pega uma música como “Terrorismo Cultural” que, ao invés de você roubar alimento ou dinheiro, sugere você furtar livros e se informar através dos livros para se tornar um cidadão. É muito sugestivo. É difícil hoje se fazer disco com essa proposta.

Qualquer manifestação artística não tem que ter um lado crítico tão grande como a gente tem. Mas a arte possui essa possibilidade e a gente entende que é preciso usar, principalmente em um país com uma conjuntura que a gente está vivendo hoje. Então é uma coisa bem consciente. Se a gente vai ter menos espaço na mídia, no mercado, em contraproposta a gente tem liberdade para dizer o que a gente está querendo dizer e assumir essas coisas publicamente.”

Agosto de 2005