Medusa Tattoo, a primeira mulher a fazer tatuagens no Brasil

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Foi um desafio, né? A tatuagem não foi uma coisa vinda de sangue de veia de artista não. Quando eu era novinha eu fui fazer uma cirurgia do coração. O corte era aqui. Eu tinha vergonha, eu queria uma tatuagem para cobrir. Perguntei para o rapaz se existia alguma mulher que fazia. E ele me disse que não. Que jamais uma mulher ia fazer, que mulher não presta para tatuagem, que mulher jamais ia exercer. Eu falei “não tem nenhuma no Brasil?” “não”. Eu falei “então vou ser a primeira, porque eu conheço um monte de mulher que quer fazer coisas escondidas e não quer tirar a roupa para um homem. Há 28 anos atrás.

Mudou muito. Muito mesmo. Era muito difícil você conseguir uma máquina boa, a gente tinha que fazer a mão, era muito difícil você conseguir um pigmento bom. Hoje, você pega uma revista, liga, faz o pedido e chega na sua casa. Eu costumo dar uma orientação grande porque tem jovem que empolga. E eu faço ele perder a empolgação para pensar bem. Ou então eu falo “vou fazer uma de hena, você fica uma semana com ela para você ver o resultado, o que vão falar por aí, o que você vai passar. Depois você volta aqui para você ver se você quer mesmo. Procurar ver um profissional bom de área. E procura pensar bem no desenho e no local do corpo. Porque o que mais tem pessoas que arrependem é do tipo do desenho e do local. Faça um desenho que você não vá enjoar, um local do corpo que você não vá ter problema e pronto.

Eu acho que tem que acabar com essa coisa de aparência. Tem que ver mais é o caráter das pessoas. E eu estou partindo para a música. Estou tocando contrabaixo, estou cantando. Porque eu sempre gostei de tatuagem, de moto e de música. Eu já tenho uma moto, já tatuei 28 anos, consegui ter essa vitória de estar com um estúdio nessa estrutura. Agora eu quero partir para a música.”

Setembro de 2002