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Miguel Falabella e o espetáculo “South American Way” em homenagem a Carmen Miranda

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Memórias do Brasil

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Eduardo Chauvet: No último fim de semana, a Sala Vila-Lobos do Teatro Nacional foi palco do espetáculo “South American Way”, um musical sobre a vida e a obra de Carmen Miranda com direção de Miguel Falabella, que falou com exclusividade ao Programa Alternativo.

Miguel Falabella: Carmen Miranda tinha, além de seu talento, do seu carisma e da sua chama, ela soube escolher o que cantar. A discografia dela reúne talvez o que há de melhor na Música Popular Brasileira e acredito que tão cedo nenhum outro artista vai gravar com a qualidade das canções que ela gravou.

Poder trazer essas canções de volta, eu acho isso um grande barato. Eu me emociono todas as noites ouvindo Assis Valente, Ary Barroso, Sinval Silva, todos os que ela gravou, e que estão vivos até hoje porque estão sendo cantados por novas e novas gerações e que fazem parte da nossa cultura como uma nação.

Ela pegou um elemento da cultura popular. Ela se inspirou nas baianas. E daí ela está até hoje em qualquer lugar do Brasil, você tem um legado da Carmen. A Carmen está em todos os lugares, em todos os setores: no ritmo, na vida, na moda. Antes do pop existir ela já era pop. Por isso ela criou aquele impacto. Ela criou um impacto tão grande que a Macys de Nova Iorque quando ela surgiu – ela foi primeiro fazer Broadway – quando ela surgiu na Broadway, três semanas depois em todas as vitrines da Macys os manequins tinham turbantes, pulseiras, sapato de plataforma. E ela era muito ingênua, ela passeava na rua e falava para as amigas “que impressionante, tudo que eu uso tá na moda”.

Ela era uma estrela do primeiríssimo escalão de Hollywood. Então, eu acho que pra todos nós brasileiros ela deve ser respeitada. É uma justa homenagem que ela merece porque ela morreu com uma mágoa imensa do Brasil, porque ela foi achincalhada pela imprensa daqui. Ela amava muito o Brasil. Ela morreu com muita saudade. As cartas dela são muito bonitas. Ela tinha muita saudade daqui e foi maltratada. Então quando eu fiz “South American Way”, eu sei que ela deve ter gostado muito porque foi um resgate, foi uma homenagem. Foi um pedido de desculpas de todos nós pra uma mulher que colocou esse país no mapa, né?

Acho que é um espetáculo que resgata a autoestima, resgata uma identidade nacional e nos resgata uma integridade artística que nós, infelizmente, por um problema de educação, por um problema de grana, nós estamos perdendo. Infelizmente somos um país que estamos deixando a nossa cultura escapar por entre os dedos. Estamos nos mediocrizando cada vez mais e não é possível…

Porque um povo sem inteligência, um povo sem cultura, um povo sem lastro é um povo escravo, né? Se você não gera conhecimento, você tem que comprar conhecimento o resto da vida. E essa é a ideia né? A melhor maneira de escravizar um povo é roubando-lhe a inteligência.

Setembro de 2002