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Miqueias Paz, um dos mímicos mais incríveis que você já viu ;)

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Um amigo na escola detectou que eu devia fazer teatro. Falei “ah, então vou fazer o curso”. Num belo dia, em Paracatu, em Minas, a gente foi convidado a criar personagens. Fiz uma maquiagem de pasta d’água com o olho pintadão de preto e saí pra rua fazendo um boneco. E esse boneco acabou conquistando a meninada. Fiquei umas quatro ou cinco horas sem parar fazendo. Até que veio a frase mágica. Um menininho desse tamanhozinho chegou para a menina que estava do meu lado e perguntou: “quando vocês voltam para Brasília, vocês guardam ele inteiro ou vocês desmontam ele para botar dentro da caixa?”

A partir daí comecei a fazer um monte de pequenas performances. E o meu trabalho inicial com o teatro iniciou num palco. A rua te dá um poder de concentração maior porque na rua você está disputando com um avião, com um cara [bêbado]. A rua faz uma conexão muito legal com o trabalho de palco. Porque se eu faço “assim” no palco, tem um efeito, agora se eu fizer esse mesmo “assim” na rua, ele pode ficar [sumir]. Tudo é muito maior. Aí isso transposto para o palco. Você fica enorme, gigantesco.

No ano passado eu fui ao Fórum Social Mundial como delegado de uma entidade de uma ONG. E aí resolvi me apresentar. O que era para ser uma única apresentação foram 16. Naquele momento eu falei: “olha, minha trajetória é o trabalho artístico, é o que eu quero”. O artista venceu. Hoje, mesmo eu continuando com uma relação de proximidade com a tarefa pública, ela tem o objetivo especifico na questão cultural. Eu faço com muita paixão o que eu faço.

Estar no palco é meio catártico também, eu coloco as minhas falhas, os meus erros, os meus defeitos e tento me recuperar. Me jogo em cena, meio que pedindo a Deus que ajude naquele ritual sagrado de estar no palco e de lavar as minhas inconsequências cotidianas. Então eu acho que a gente precisa estar sempre hidratando um instrumento poderosíssimo que eu costumo dizer que é a minha assinatura em cada espetáculo [coração]. Que esse seja o instrumento mais revolucionário da nossa sociedade.”

Março de 2003