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Mulheres Brasílicas, a condição feminina e os 500 anos do Brasil

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Memórias do Brasil

Descrição:

“A gente começou a trabalhar em janeiro de 98. Fizemos uma longa pesquisa, lemos uma série de textos de teoria, de sociologia, de antropologia, de política, psicologia. Lemos uma série de coisas para tentar entender o que é o feminino na nossa contemporaneidade, como ele funciona, por que o feminino está presente no masculino também. Depois que a gente fez toda essa leitura e criou um arcabouço de ideias, a gente partiu para fazer uma oficina dramatúrgica. Sentamos, estudamos como se constrói um texto dramatúrgico, como é que dentro da performance essa ideia de texto dramatúrgico passa para uma ideia de roteiro e construímos um roteiro.

A gente foi construindo as situações da vida de uma mulher onde ela se envolve com maridos, com amantes, com os filhos, com o trabalho, com o misticismo, que segundo as teorias psicológicas é própria do lado feminino da criatura.

Como é que surgiu a ideia de fazer o Mulheres Brasílicas, de fazer todo esse levantamento para conceber um espetáculo que retratasse o papel da mulher nesses 500 anos de história do Brasil?

Surgiu do desejo que o núcleo tinha de projetar para o futuro essa comemoração. A gente queria ver o Brasil daqui para frente. Como é que isso vai se projetar no novo milênio com novos valores estão surgindo, novas possibilidades de comportamento estão se afirmando. Então a gente resolveu encontrar uma temática que falasse disso, dessa transformação de comportamento. E aí a gente percebeu que foi a condição feminina que teve todo um avanço em termos de revolução individual, de possibilidades de comportamento, de entrada na sociedade. Aí a gente entrou na condição feminina. Começamos a estudar isso no Brasil colônia, no Brasil império, no Brasil moderno, no Brasil contemporâneo. Fomos juntando essas coisas e surgiu o nome “Mulheres Brasílicas”, que é uma expressão que um historiador usa.

A gente procura trazer o homem para esse universo feminino como alguém que tem feminino dentro de si, que conhece esses sentimentos, essas possibilidades e usufrui delas no cotidiano e na relação afetiva com a mulher.

Uma coisa que a gente andou colocando para as pessoas é que a gente precisava fazer alguma coisa nos 500 anos do Brasil. Por mais que a gente tente ser crítico com relação a isso, existe uma força nesses números, nesses nomes, nesse movimento. De reflexão mesmo.

A gente acha que é importante você elaborar esteticamente o conhecimento científico. Tirar da teoria essa possibilidade de enxergar o mundo cotidiano, de ver as pessoas como elas realmente são, de estudar a vida cotidiana dentro dos parâmetros que a teoria coloca.”

Março de 2000