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MV Bill lança CD Declaração de Guerra em setembro de 2002

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Desde 88, quando eu comecei a fazer rapper, eu tenho uma luta incansável pra tentar mostrar o outro lado da minha comunidade, o lado bom. Eu sou nascido e criado e moro até hoje na comunidade na Cidade de Deus. O titulo Declarações de Guerra é muito mais um clamor por uma oportunidade de paz. Declarar guerra contra todos os preconceitos imbecis, contra essa idiotice, essa hipocrisia que é pedir paz e ao mesmo tempo financiar a guerra.

Eu quis dar uma identidade mais nacional, mas brasileira pro meu disco. Eu comecei a selecionar algumas coisas, músicas brasileiras como Djavan, Samurai. Tem muito religiosidade percussiva também no disco. Uma iniciativa que a própria cultura hip hop me deu é de não esperar mais que a ajuda venha de cima para baixo e eu mesmo começar a fazer e a me mobilizar junto a essas pessoas que são desassistidas e assim começar a procurar um direcionamento positivo. A sociedade de burguês, eles não precisam esperar que a violência atinja eles pra eles descobrirem que isso é um problema nacional.

O filme Cidade de Deus

Filme sim, o filme está sendo bem elogiado, tive a oportunidade de assistir e até aconselho a todas as pessoas assistirem, até para que vocês tirem suas conclusões. Muito bonito, muito bem filmado. Trataram muito bem da estética do filme. Acho que só não souberam tratar muito bem da política do filme, mostrar uma imagem negativa da comunidade que pode prejudicar um pouco a mim que sou nascido e criado e moro até hoje na comunidade na Cidade de Deus. Da forma como que foi tratada, acho que o filme corre um sério risco de ganhar prêmios no mundo inteiro, o Oscar e talvez pra minha comunidade só sobre um troféu, o troféu de favela mais violenta do mundo. Depois como que aquelas pessoas vão fazer para conseguir arrumar emprego que já é difícil por morar lá pela fama que tem. Pra mim o filme é violência glamourizada. Bandido tem em tudo e em qualquer lugar na Cidade de Deus, em qualquer favela e em qualquer parte do mundo, inclusive na sociedade tem vários bandidos que não roubam de fuzil, mas mata com caneta. Um grande ganho pro cinema Brasileiro, pro cinema nacional pro cinema mundial porque vai ser exibido no mundo inteiro.

A minha luta ainda está só no começo, ainda tenho muito por conquistar. Sei que sozinho não vou conseguir mudar o mundo mas pelo menos eu tenho a certeza e a tranquilidade de que eu não vou cometer o crime de omissão que pra mim deveria ser hediondo.”

Setembro de 2002