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Na peça “Procura-se”, palhaços procuram emprego e reconhecimento pelas ruas da cidade

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Memórias do Brasil

Descrição:

Eles são palhaços profissionais mas não conseguem emprego com carteira assinada. E, por essa razão, saem às ruas com a peça “Procura-se”.

“O que nós provamos para a plateia, inclusive a plateia que aparece ou que está ali na praça assistindo a gente, que a dificuldade dos cidadãos que querem ser palhaço hoje em dia é muito grande. E a proposta do “Procura-se” veio justamente para poder dialogar e falar sobre isso, sobre essa questão da falta de emprego numa área que poucas pessoas ainda se interessam. A vida de palhaço não é nada fácil, mas também é uma grande alegria ser palhaço e fazer a palhaçada. Se um médico se forma e ele tem emprego, ele só se torna profissional tendo esse emprego com carteira assinada, FGTS e férias. Nós que somos palhaços também temos uma formação nessa área com graduação em Artes Cênicas, cursos de especialização. Nós também queremos ter esse direito.

Na medicina existem pessoas que estão doentes, então o médico formado tem uma demanda de trabalho para ele suprir. O artista cênico não tem uma demanda. As pessoas não estão sentadas esperando. Então a gente resolveu ir pra rua justamente por isso, porque as pessoas não estão esperando por isso. E a gente pode chegar lá e sensibilizá-las e mostrar que esse é um trabalho, que ele pode ser remunerado, que é um trabalho sério, que a gente levou bastante tempo para constituir, construir.

A minha primeira formação, foi mecânico geral, depois me tornei técnico de enfermagem e hoje em dia eu sou funcionário público da área de saúde. Então, o meu sustento sai mais do salário de funcionário público do que da minha arte de artes cênicas. E eu estou querendo reverter essa situação.

A rua é a situação mais democrática. Então, pra gente como artista é um enorme desafio ficar pensando que a gente não está numa área fechada com um público sentado que pagou para assistir, pré disposto a gostar daquilo ali. E a gente tem recebido boas críticas e boas interferências da população. Isso tem sido muito bacana. A gente encara a área de palhaço como um trabalho como outro qualquer, como um advogado, como um médico. E o que move a gente é justamente trabalhar nessa área, poder viver disso. Ser um profissional da área de palhaço. É isso que nos motiva, ter essa esperança nesse amor.

Março de 2011