Naná Vasconcellos, de Villa-Lobos a Jimi Hendrix passando por Hermeto Pascoal

profile

Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu sou músico brasileiro. Sou músico desde criança, desde os 12 anos de idade. Nunca fui à escola de música nem conservatório nem coisa desse tipo sou um autodidata. Não me conformo com a mesmice, por exemplo, eu pegar o berimbau e não ficar conformado que ele seria só para a capoeira e isso me fez com que eu tenha medo de tocar aqui no Brasil porque talvez estivesse deturpando as tradições que é uma coisa que vem da tradição, que a tradição tem que ser respeitada e tal.

Sempre fui fascinando com Villa Lobos de um lado e por outro lado o Jimi Hendrix. O Villa Lobos mostrou que a música tem um aspecto visual. Ele pegou o folclore Brasileiro e tratou sinfonicamente. E Jimi Hendrix me mostrou que instrumentos não tem limitação. Que o berimbau não é só pra capoeira que a cuíca não é só para o samba.

E a partir dessas ideias desses pensamentos tudo virou música pra mim. Hermeto Pascal é pioneiro, por exemplo, nessa maneira de criar de virar qualquer coisa um instrumento isso é muito do músico brasileiro da intuição, sabe aquela coisa que só tem tu vai tu mesmo.

Foi tudo muito natural de repente eu to lá em Nova York tocando com a nata do Jazz: Ron Carter, Lonnie Liston Smith, Lenny White e lá tava o sucesso da bossa nova e tudo, mas não, eu vou falar as coisas que eu sei da minha infância, eu tive a oportunidade de conhecer o folclore da minha região do Nordeste todo trabalhando com grupos de teatro.

A palavra Loa significa canção de Maracatu, mas nesse caso Meu Loa, quer dizer minha onda, minha nova onda, minha nova maneira é um disco pop dançante. Tem uma música O futebol, por exemplo. Eu acho que nós estamos perdendo a molecagem, a coisa mais rica que temos no futebol brasileiro que ficou famoso era a intuição.

Eu acho que o maior sucesso meu porque eu nunca perdi a minha identidade eu sou muito agarrado as minhas origens isso não impede que você faça uma música contemporânea, pop aí depois o pessoal gosta não aí já é outra história, já não é mais comigo.”

Junho de 2002