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Naná Vasconcelos e a percussão como harmonia e orquestra

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu sempre quis ser músico. Aperreei tanto o meu pai. Nunca fiz nada que não fosse música, meu pai teve que me levar. Eu acho que comecei muito tarde.

Eu vejo tudo como percussão, porque eu acho que percussão é uma orquestra. O que eu procuro fazer com a percussão é que ela soe como outro instrumento. Porque normalmente as pessoas usam a percussão só para fazer ritmos. Eu uso mais como se fosse um instrumento de harmonia, uma orquestra.

Instrumentos não tem limitações. Ou seja, a cuíca não foi feita só para tocar samba, o berimbau não foi feito só para a capoeira. São instrumentos que não tem limitações. Se procurar, encontra coisas.

De uma certa forma, tudo que eu faço nos outros instrumentos vem do berimbau. Então o berimbau é uma coisa muito agarrada comigo. Eu não toco berimbau, ele é que me toca. E os outros instrumentos todos vão para o depósito, para o teatro. Ele fica comigo no quarto do hotel. Ele dorme comigo. É ciumento.

Música é tudo. O primeiro instrumento é a voz, o melhor é o corpo e o resto é consequência. Consequentemente é infinito.

Aconteceu, foi acontecendo. De repente eu estava nos Estados Unidos, gravei com Pat Metheny, 4 discos, Talking Heads, BB King, Peter Gabriel. Aí entrei nesse mundo. Mas eu nunca saí daqui, na realidade. Eu só estava morando fora. Porque eu sempre carreguei comigo toda essa coisa, esses instrumentos que eu crio, instrumentos que fazem para mim e a minha raiz. Nunca perdi minha identidade por isso.

Eu fico aqui até o carnaval, para fazer a abertura do carnaval. Depois me mando para o mundo. Vou para Sri Lanka, para Espanha, Itália, França. Meu trabalho é muito mais lá fora do que aqui. Vou lá, dou uns gritos e volto para aqui para comer peixe frito.”

Dezembro de 2004