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Nelson Sargento, um ícone do samba de raíz

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Memórias do Brasil

Descrição:

“Eu acho que o samba me descobriu. Eu, desde criança, lidei com pessoas que cultuavam o samba. E aos 12 anos de idade, eu toquei tamborim em uma escola de samba. Na época não tinha nada proibido para menores.

O senhor começou tocando tamborim no Salgueiro. Mas de lá o senhor foi parar no morro da Mangueira. Como se deu a transição de Salgueiro para Mangueira?

Eu fui para a Mangueira porque a minha mãe foi para a Mangueira também. Fomos para a casa de um cidadão chamado Alfredo, que acabou de me criar. E a casa dele era frequentada por Cartola, Carlos Cachaça, Aloísio Dias…. No meio deles, aos poucos, fui assimilando as coisas do samba. Eu tive bons professores. Eles me ensinaram muito. Eu creio que aprendi um pouco.

O Rio vai ter sempre essa alma carioca produzindo gênios como o senhor?

O Rio é sempre Rio, né? Mesmo sofrendo ele continua lindo. Isso é uma realidade.

O senhor tem 76 anos, mas é dono de uma jovialidade. Qual é o segredo para chegar aos 76 anos tão cheio de vida?

Nos tempos que eu bebia cachaça, eu bebia cachaça de qualidade e bebia água de poço. Então agora não tomo mais nem cachaça nem bebo água de poço. (risos)

De onde vem o nome Nelson Sargento?

Eu servi 4 anos e 9 meses no exército brasileiro. Fui soldado, cabo e sargento.

Como foi o sucesso no exterior? O senhor gravou um disco para o Japão, não é isso?

Gravei 4 discos no Japão. Como eu não sei falar japonês, eu canto samba em português. Eles têm que tentar decorar o que eu estou falando ou bater palma.

O que o senhor acha desses grupos novos de pagode, o senhor acompanha o trabalho?

Eu acompanho, porque eu preciso saber tudo que está acontecendo com a música brasileira. Não acho nem que são bons nem que são ruins. O que eu quero da mídia é espaço para o meu samba de raiz. Quero o mesmo espaço que eles recebem.

E o futuro do samba?
Agoniza mas não morre.”

Março de 2000

Reportagem: Tina Vieira