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O filme “Estrela Solitária” de Wim Wenders com crítica do jornalista Cláudio Ferreira

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Memórias do Brasil

Descrição:

“O filme Estrela Solitária é interessante por dois aspectos. Pelos aspectos temáticos e pelos aspectos visuais. Eu acho que nos aspectos temáticos uma coisa que me chamou muita atenção é essa coisa do protagonista abandonar o que faz para voltar às suas raízes. Isso é uma coisa muito interessante porque, no caso, o protagonista é um ator de filmes de cowboy. Então ele larga o que está fazendo para poder buscar outras sensações, buscar o passado, buscar outras informações da vida.

Outro aspecto temático é um tema que é recorrente na dramaturgia, no teatro, no cinema, na televisão, na literatura, que é a busca por um filho e essa reação do filho ao conhecer um pai que ele não conhecia, de um pai ao conhecer um filho que ele não sabia que existia também.O Wim Wenders coloca essas duas questões que me atraíram muito de uma maneira muito legal no filme.

E você tem os aspectos visuais do filme que ajudam a compor esses aspectos temáticos. Ele já fez isso em “Paris, Texas” que é um dos filmes mais conhecidos dele e faz agora nesse “Estrela Solitária”, que é, por exemplo, situar a ação no oeste americano, numa região que tem um deserto, que tem cidades pequenininhas. Então a solidão do personagem acho que é mais solidão quando ela tá num lugar vazio, num lugar em que você anda quilômetros e quilômetros de carro sem encontrar ninguém. É diferente de você ser sozinho numa metrópole. Poderia colocar isso em Nova Iorque, em Los Angeles, mas ele coloca isso no meio do deserto. Acho que esse tipo de solidão fica diferente e o espectador percebe isso.

Outra coisa interessante é que o protagonista é um ator que sai da ficção pra voltar a realidade. Mas quando ele volta pra realidade, a cidade que ele encontra, visualmente, parece uma cidade cenográfica. É muito interessante, parece cena de novela, a cidade cenográfica de um filme. Então é uma confusão que fica na cabeça do espectador. Ele saiu da ficção pra voltar pra realidade e voltou pra ficção? E está num cenário de ficção? Aquela cidade é verdadeira ou é cidade de mentira? O Wim Wenders faz isso de uma maneira muito interessante. Juntar esse aspecto visual do deserto, do lugar inóspito da cidade pequena com a cidade meio fake, meio falsa, parecendo um cenário de filme.

Eu acho que é interessante esse filme vir nessa hora porque eu vejo uma ligação dele com outros dois filmes que a gente viu recentemente aqui em Brasília. Um deles chama “3 enterros”, que é do Tommy Lee Jones, que ele dirige e atua e que também se passa nessa região, naquela região de fronteira entre os Estados Unidos e o México. Outro filme que passou recentemente a esse respeito é “O Segredo de Brokeback Mountain”. Então acho que é bem interessante. São 3 filmes que mostram como uma região, como um aspecto visual, pode influenciar a vida dos personagens.

Julho de 2006.