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O poder de unidade das Danças Circulares

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Memórias do Brasil

Descrição:

Rita Almeida: O primeiro grande movimento de sentar em volta do fogo. Acredita que cantar e os movimentos… surgiam para celebrar as colheitas, para fortalecer o povo, a comunidade. Surgiu pela própria essência do redondo, do círculo, o sol, essa conexão sagrada com o outro ser, do círculo com a comunidade. Para que as pessoas possam se sentir únicas e uma e una…

A dança traz essa unidade, o ser único na roda. Cristo pregava dançando. Poucas pessoas sabem disso. Cristo foi um dos primeiros dançarinos da dança circular sagrada. Tem um trabalho muito bonito, que é o Pai Nosso em aramaico, que é feito com as orações de Cristo dançando.

Ela é contemplativa quando ela é meditativa e você está centrado no seu ser repetindo aqueles passos. Ela é exuberante, alegre, quando você está na celebração, aquela música forte, que te anima. E ao mesmo tempo, quando termina, há uma necessidade no círculo de você recolher, porque é tanta energia que você trabalha… Isso te faz um bem que você não tem noção. Mexe em todas as suas células. É a conexão com o seu Deus interno, com o Deus de cada um…

Nós temos um espaço que vibra. As pessoas entram e tem um cheiro diferente. É aquela energia que já está plasmada de cada um dessa nossa comunidade aqui de Brasília que entra, dá a mão, ri, fica nervosa. Tem horas que você tem uns atritos, brigando com você mesmo porque você não consegue acertar o passo. E o passo é seu, o passo não é da professora, é o teu passo na vida.

As meninas nascem, menstruam, chegam na menopausa e estão trabalhando, vivendo toda uma história. E você esquece aqueles momentos da sua vida, a gravidez… A dança cigana que eu uso como trabalho é isso, é fazer essa conexão da mulher com a terra.

As danças circulares.

A tradicional grega, a dança celta, danças da Polônia, de Israel. A nossa dança, ciranda é maravilhosa, o maracatu e danças de coreografias mais recentes com músicas contemporâneas. Bernhard, o pai, ele mesmo coreografou muitas coisas, sua filha ainda coreografa. Mas sempre naquele passo antigo, aquela renda, que é o passo sagrado, é o passo de 6.000 anos.

Nós temos uma sala maravilhosa na W3, na 506 sul. Às segundas-feiras, nós temos rodas abertas, que é essa roda que você vai ter contato com a dança, você vai saber o que é dar a mão pela primeira vez. Terça-feira nós temos um trabalho que é exclusivamente sagrado com a dança. Quarta-feira uma oficina de nível intermediário. Quinta-feira, iniciante.

Fui uma das fundadoras do grupo ‘Rodas da Lua’ e nós ganhamos um prêmio. Fomos reconhecidas pelo Ministério da Cultura e Ministério da Saúde como uma dança circular que cura e é cultural também. A dança que cura. A dança circular cura.

Isso vai mexendo no coração. E esse coração meu abre com o coração do outro e, de repente, o círculo é só um coração. Tem um centro, que eu tenho todo o cuidado de fazer com flores, com o que quer que seja e quando você percebe no final ou no meio da noite… o grande coração, o amor mesmo. A dança é amor.

Fevereiro de 2010